Terrorismo

Homem-bomba de Bruxelas fazia parte de lista terrorista dos EUA

Ibrahim El Bakraoui, de 30 anos, é um dos homens-bomba do ataque contra o aeroporto de Bruxelas, perpetrado na terça-feira (22).
Ibrahim El Bakraoui, de 30 anos, é um dos homens-bomba do ataque contra o aeroporto de Bruxelas, perpetrado na terça-feira (22). Reuters

Um dos homens-bomba do atentado no aeroporto de Bruxelas, o belga Ibrahim El Bakraoui, fazia parte de uma lista de terroristas dos Estados Unidos desde antes dos ataques de 13 de novembro em Paris. A informação foi divulgada na sexta-feira (25) pela CNN.

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Ibrahim El Bakraoui, de 30 anos, se explodiu na terça-feira (22), no aeroporto Zaventem, o maior de Bruxelas. Já seu irmão, Khalid El Bakraoui, de 27 anos, é o homem-bomba do ataque ao metrô de Bruxelas, perpetrado momentos depois, no mesmo dia. O terrorista foi incluído à lista norte-americana logo depois dos atentados em Paris.

Em dezembro, um mandado de prisão internacional e outro europeu já haviam sido emitidos contra Khalid. Ele era investigado por ter alugado um apartamento utilizado por alguns dos terroristas do atentado de 13 de novembro em Paris.

Já Ibrahim fazia parte do documento das autoridades norte-americanas antes dos ataques contra a capital francesa, segundo a rede de televisão norte americana CNN. Ele havia sido foi expulso da Turquia para a Holanda em julho, depois de ter sido preso um mês antes perto da fronteira turca com a Síria. Ancara critica as autoridades belgas por ter ignorado o perfil terrorista de Ibrahim El Bakraoui e não o terem detido em sua volta à Europa.

Antes dos ataques, os dois irmãos belgas tinham antecedentes criminais por diversos crimes, como roubos de carro, assaltos e tiroteios com a polícia.

Bélgica, França e Alemanha prendem 12 suspeitos

As polícias francesa e belga intensificaram as operações contra as redes jihadistas nos últimos dias. Ontem, a autoridades belgas prenderam 3 novos suspeitos de participação nos atentados de Bruxelas. Nos últimos dias, a Bélgica, a França e a Alemanha detiveram 12 supostos terroristas. Os resultados das operações mostram uma relação quase certa entre os autores dos ataques de 13 de novembro em Paris e os atentados de 22 de março em Bruxelas.

Um dos suspeitos detidos na quinta-feira (24) pelas autoridades belgas, Faisal C., que poderia ser o terceiro autor dos atentados no aeroporto de Bruxelas, foi indiciado por "assassinatos terroristas", informou neste sábado (26) a procuradoria federal belga.

Outro suspeito, Rabah N., preso em conexão com a investigação de projeto de ataque frustrado esta semana na França, também foi acusado de "participação em um grupo terrorista", segundo a procuradoria em um comunicado.

Rede terrorista está quase eliminada, diz Hollande

Na sexta-feira (25), o presidente francês, François Hollande, declarou que a rede responsável pelas violências contra a França e a Bélgica está quase eliminada. O chefe de Estado francês ressaltou, no entanto, que existem outras células terroristas em funcionamento. "Mesmo se aquela que cometeu os atentados de Paris e Bruxelas está prestes a ser aniquilada, com a prisão de alguns de seus membros, a ameaça ainda existe", disse.

Uma longa lista de erros cometidos pela inteligência belga pressiona o governo e levanta dúvidas na Europa sobre se esses ataques em Bruxelas poderiam ter sido evitados. Ontem, diante de uma comissão parlamentar, os ministros belgas das Relações Exteriores, Didier Reynders, da Justiça, Koen Geens, e do Interior, Jean Jambon, tiveram que se se explicar durante horas sobre como Ibrahim El Bakraoui foi ignorado pelas autoridades do país, apesar de seu perigoso perfil.

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