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Refugiados

Artesão coleta doações para atenuar miséria de refugiados na Turquia

Melten Demir, Oktay Chaparoglu e Yalchin Yanick militam em defesa dos refugiados em Izmir, na Turquia.
Melten Demir, Oktay Chaparoglu e Yalchin Yanick militam em defesa dos refugiados em Izmir, na Turquia. RFI/Adriana Moysés
5 min

Os refugiados que chegam a Izmir, no oeste da Turquia, logo ouvem falar de Yalchin Yanick, um artesão que trabalha com couro. Turco de origem africana, Yalchin transformou sua pequena oficina, instalada em uma casa humilde próxima da estação ferroviária de Basmane, em uma central de coleta de doações para os 100 mil migrantes da região, a maioria sírios (94%).

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Adriana Moysés, enviada especial da RFI a Izmir

No ateliê de Yalchin, o entra e sai de refugiados não para o dia todo. Em geral, são mães com crianças pequenas ou de colo que vão buscar todo tipo de produto – leite em pó, alimentos não perecíveis, fraldas, papel higiênico, xampu, utensílios de cozinha e roupas –, depositados no local por pessoas solidárias com a situação dos deslocados. Se alguém precisa de fogão, geladeira ou de um aparelho de televisão, ele anota o pedido e se encarrega de encontrar a solução.

Refugiadas sírias que foram buscar ajuda na oficina de Yalchin Yanick.
Refugiadas sírias que foram buscar ajuda na oficina de Yalchin Yanick. RFI

Sindicalista em uma organização local, Yalchin começou a ajudar os sírios quando viu que eles eram explorados pelos turcos no trabalho. “Tem gente que trabalha e depois não recebe o pagamento”, diz indignado. “Quando são pagos, recebem a metade do que ganha um trabalhador turco.” Diante dessa situação, Yalchin decidiu ensinar os refugiados a fazer sapatos. “Se eles aprendem a lidar com o couro, podem vender os produtos por conta própria e ter uma fonte de renda independente”, explica o artesão. A coleta de donativos veio depois.

O artesão turco não recebe ajuda das autoridades. Com o intenso movimento em sua oficina, ele não consegue mais tempo livre para ganhar sua vida e afirma estar em uma situação financeira delicada. “Só trabalhei dois meses este ano, não sei como vou fazer.”

“Se queremos um mundo melhor, temos que ajudar”

O multi-instrumentista Oktay Chaparoglu, da associação de músicos de Izmir, e sua mulher, Melten Demir, engenheira, participam ativamente da coleta de produtos organizada por Yalchin. Mestre no alaúde, Oktay também ensina as crianças traumatizadas pela guerra a tocar um instrumento, uma maneira de devolver a elas a alegria de viver.

A oficina do artesão se transformou em uma central de coleta de doações para os sírios.
A oficina do artesão se transformou em uma central de coleta de doações para os sírios. RFI

Os produtos que o casal coleta são obtidos em campanhas feitas em escolas e universidades, para sensibilizar os estudantes à dura condição de vida dos refugiados. Eles ainda costumam visitar migrantes vulneráveis, que devido a sequelas de conflitos em seus países saem pouco de casa.

“Faço isso por militantismo. A gente apoia várias atividades em defesa dos direitos de mulheres, crianças e pessoas desamparadas socialmente, como os refugiados”, explica Oktay. “Sou contra o racismo e todo tipo de discriminação. Meu trabalho é a música, mas acredito que se queremos que o mundo mude para melhor, precisamos mudar as mentalidades e tento fazer isso por meio da música”, argumenta.

Melten, a mulher de Oktay, acrescenta que eles estão organizando cursos de música persa, curda, árabe e turca para apresentarem em um festival que está sendo negociado com a prefeitura.

Em uma hora de visita à oficina de Yalchin, cerca de 20 refugiadas estiveram no local. Por alguns minutos, elas contaram com o apoio do infatigável Sedat Filiz, um velho amigo do artesão. Sorridente, Filiz passa o dia embalando as crianças enquanto as mães, ocupadas, reviram as caixas de papelão. Sob o céu azul de maio e a brisa morna de Izmir, a casa de Yalchin é um porto seguro.

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