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Linha Direta

Operação Condor: audiência de brasileiros será em setembro na Itália

Áudio 04:30
O ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas Gigli desapereceu em junho de 1980.
O ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas Gigli desapereceu em junho de 1980. www.institutojoaogoulart.org.br
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A primeira audiência do chamado processo Condor contra os quatro brasileiros agentes da ditadura, que aconteceria nesta segunda-feira (13), foi transferida para o dia 28 de setembro. Eles são acusados pelo homicídio doloso do ítalo-argentino Lorenzo Ismael Viñas, em 1980, e poderão ser condenados à prisão perpétua.

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

A presidente da Corte, Anna Argento, decidiu remarcar audiência. O motivo é que os promotores achavam que ela poderia alegar incompatibilidade para exercer a sua função porque já presidiu, em 2011, o processo contra ex-militar chileno Alfonso Podlech, acusado pelo desaparecimento de Omar Venturelli, ex-sacerdote de origem italiana. Podlech foi absolvido porque, segundo Anna Argento, o crime de sequestro caiu em prescrição e para a acusação de homicídio não haviam provas suficientes para a acusação de homicídio.

A chamada Operação Condor foi uma aliança político-militar durante as ditaduras de 1970 e 1980 entre os vários regimes militares da América do Sul   Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai com os serviços secretos dos Estados Unidos. Em 1980 os quatro brasileiros hoje julgados na Itália eram agentes da ditadura militar. Leivas Job era secretário de Segurança do Rio Grande do Sul. Ponzi comandava o Serviço Nacional de Informações (SNI) de Porto Alegre. Rohrsetzer dirigia a Divisão Central de Informações na cidade e o delegado Silva Reis era diretor estadual do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) no Rio Grande do Sul. Atualmente Rohrsetzer mora em Florianópolis, Silva Reis em uma praia do litoral gaúcho e Leivas Job e Ponzi vivem em Porto Alegre.

Brasileiros são julgados por assassinato de cidadãos italianos

Na Itália o réu pode ser processado à revelia, mas o processo pode ser aberto só se as vitimas, ou os acusados, tiverem dupla cidadania, uma delas sendo italiana. O processo “Condor” que começou há um ano, visa julgar 33 ex-militares e políticos latino-americanos por crimes contra 22 vítimas. Por motivos burocráticos, em fevereiro do ano passado os juízes decidiram que, para os brasileiros, seria feito um julgamento paralelo.

Os brasileiros estão são processados pela morte de Lorenzo Ismael Viñas. O jovem de 25 anos, que tinha cidadania italiana e argentina, foi sequestrado em Uruguaiana, na fronteira entre o Brasil e a Argentina, em 26 de junho de 1980, e em seguida desapareceu. Viñas era militante do grupo Montoneros, de oposição à ditadura na Argentina. Em 12 de março do mesmo ano, outra vítima ítalo-argentina também desapareceu no Brasil. Trata-se de Horacio Campiglia, sequestrado no aeroporto Galeão, do Rio de Janeiro. No entanto, os quatro brasileiros não serão julgados pela morte de Campiglia porque, segundo os os juízes, não existem elementos suficientes para demonstrar o envolvimento deles no caso.

Investigações começaram em 1998

As investigações começaram em 1998 com a denúncia de parentes de vítimas ítalo latino-americanas. Em 2005, o Ministério Público Giancarlo Capaldo apresentou uma primeira lista de indiciados - um total de 140 militares e políticos de toda a América Latina. Onze brasileiros faziam parte da lista, mas só quatro ainda estão vivos. Para reunir os documentos, foi necessária a colaboração dos países de residência dos réus. Por este motivo entre os acusados estão bolivianos, chilenos, peruanos, uruguaios e brasileiros, mas não há nenhum argentino, já que o país não enviou a documentação.

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