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Cultura/Imigração

Crise migratória inspira arte contemporânea

Music for (prepared) Bicycles (2012), obra de Caecilia Tripp exposta em Paris, na Galeria Mor Charpentier
Music for (prepared) Bicycles (2012), obra de Caecilia Tripp exposta em Paris, na Galeria Mor Charpentier Caecilia Tripp
Texto por: Silvano Mendes
4 min

Enquanto a Europa tenta encontrar uma solução para a mais grave crise migratória de sua história recente, artistas contemporâneos se interessaram pelo assunto. Várias exposições abordam o tema no Velho Continente e incitam a reflexão dos visitantes.

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Os movimentos migratórios sempre existiram, seja motivados por razões econômicas, políticas ou por conflitos diversos. Porém, nada se compara ao fenômeno vivido atualmente na Europa, que assistiu desde o início deste ano à chegada de mais de 250 mil pessoas apenas por via marítima. Além disso, em templos de globalização, algumas vezes as imagens desses êxodos modernos viajam mais que seus próprios protagonistas. E, se essas fotografias e vídeos dão volta ao mundo suscitando indignação, elas também inspiram artistas contemporâneos, sempre a postos para interpretar a realidade com um olhar diferentes, para suscitar uma reflexão, experimentar novas linguagens estéticas ou simplesmente para abordar temáticas da moda.

“Desde sua origem a humanidade é fundada pela imigração. E a arte é também uma forma de migração”, argumenta Caecilia Tripp, artista alemã baseada em Paris, que trabalha há anos sobre essas questões. Ela acaba de voltar de Lampedusa, na Itália, após ter preparado seu novo projeto, uma composição musical intitulada Score for Migrating Notes, que será apresentada no festival de outono de Graz, na Áustria, e também na FIAC, uma das principais feiras de arte do contemporânea do mundo, que acontece em outubro em Paris. “Lampedusa é um ponto nevrálgico da nossa ‘mundialidade’”, teoriza a artista, fazendo alusão a uma expressão popularizada pelo pensador Edouard Glissant, com o qual ela trabalhou no passado.

Algumas obras de Caecilia Tripp, aliás, estavam expostas durante todo o mês de julho na galeria Mor Charpentier, em Paris, dentro da exposição Exodus, que também abordava o tema da migração. Na mostra, a alemã e outros seis artistas vindos dos quatro cantos do planeta questionavam, cada um à sua maneira, os êxodos humanos no mundo contemporâneo.

Ironia para falar de tragédias

Algumas instituições escolhem a provocação e a ironia como ferramenta de linguagem para falar desse tema. É o caso do Museu de Arte Cicládica de Atenas, que acolhe, até 30 de outubro, a exposição Ai Weiwei at Cycladic. Na mostra, o artista chinês, conhecido por seu trabalho polêmico, tenta alertar os visitantes sobre o destino dos refugiados.

As obras expostas, inspiradas por suas visitas à capital grega, mas principalmente à ilha de Lesbos, cativam os visitantes. Como uma instalação composta por duas enormes boias que, de longe, podem parecer bem leves, mas, na verdade, são de mármore. Uma metáfora que nos faz lembrar que mais de 3 mil pessoas morreram apenas este ano tentando atravessar o mar Mediterrâneo. Engajado, Ai Weiwei também expõe no Haus de Viena, na Áustria, até 20 de novembro, a instalação Translocation, Transformation, une obra composta por 1.005 coletes salva-vidas usados habitualmente por refugiados.

PhotoEspaña volta seus olhos para a Europa

O desafio de repensar as diferentes formas de migração também está no centro das discussões da PhotoEspaña, um dos principais encontros de fotografia do planeta, que acontece em Madri até 28 de agosto. A edição deste ano, composto por 94 exposições reunindo o trabalho de 330 artistas, tem como tema principal a Europa e sua identidade. E, diante da atualidade, a questão da crise migratória se convidou para a programação naturalmente. Basta ver mostras como Nas portas do paraíso!, no centro cultural Conde Duque, na qual Batho, Antoine D’Agata, Peter Knapp, Mathieu Pernot e Annick Sterkendries abordam a questão da imigração. Ou ainda Caminhos do Exílio, evento organizado pelo Instituto Francês no parque do Retiro, que apresenta a visão de cinco fotojornalistas, com uma abordagem bem mais realista de uma crise que atinge praticamente todos os países do Velho Continente.

 

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