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Portugal/Luto

Funeral de Mário Soares terá cortejo com milhares de seguidores em Lisboa

Mário Soares, líder do Partido Socialista português, discursa para militantes em um comício da campanha eleitoral de 1975, em Lisboa.
Mário Soares, líder do Partido Socialista português, discursa para militantes em um comício da campanha eleitoral de 1975, em Lisboa. EPU / AFP
Texto por: RFI
4 min

Apesar do domingo (8) ensolarado em Portugal, a população acordou de luto pela morte do "pai da democracia portuguesa", como era chamado o ex-presidente Mário Soares. Considerado a maior personalidade política portuguesa do século XX, Soares terá um funeral com honras de chefe de estado na próxima terça-feira (10).

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Adriana Niemeyer, correspondente da RFI em Lisboa

Mário Soares faleceu no sábado (7), aos 92 anos, em companhia dos filhos, depois de lutar quase um mês no hospital da Cruz Vermelha de Lisboa. O primeiro-ministro português, Antonio Costa, que se encontra em visita oficial na Índia, proclamou luto oficial de três dias a partir de segunda-feira (9).

O governo está envolvido nos preparativos do funeral, que, já se sabe, contará com um cortejo pelas ruas de Lisboa. A urna fúnebre com o corpo de Soares vai percorrer vários pontos da capital, passando pela Câmara Municipal, o Palácio Presidencial de Belém, a Assembleia Legislativa e a Fundação que leva o seu nome.

Espera-se que uma multidão acompanhe o trajeto, já que Soares foi a figura política mais popular da democracia portuguesa. Combativo, jovial, culto, mas sempre próximo do povo, ele ocupou os cargos mais importantes na vida pública portuguesa em quarenta anos de atividade política. 

Foi ministro das Relações Exteriores, duas vezes chefe de governo, presidente da República durante dez anos e eurodeputado. Segundo o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, uma nova luta começa a partir de agora: "o combate pela imortalidade de seu legado".

Imprensa portuguesa presta homenagem calorosa

"Mário Soares foi o homem, o político, o pensador, o fundador da democracia. Viu, viveu, fez viver e mudar. Poucos como ele ficarão nos livros da história. Uma história de alguém que nunca desistiu", diz o jornal Público.

"Lutou como poucos contra a ditadura, foi preso, casou na prisão, teve de deixar o país e voltou com a Revolução dos Cravos para mudar para sempre a história de Portugal", comenta o editorial do Diário de Notícias.

Mais do que nunca, o slogan de uma campanha eleitoral nos anos 80 está na memória dos portugueses. "Soares é fixe", expressão que na gíria portuguesa quer dizer "muito legal". Esse slogan acompanhou o político em toda a sua carreira, pois representava seu modo descontraído de ser e de fazer política. Com certeza, é dessa forma que Soares gostaria de ser recordado pelo seu povo.

Quando se fala do ex-presidente, os portugueses lembram o homem que se opôs com firmeza ao radicalismo da revolução, que fez frente ao Partido Comunista Português no chamado ‘verão quente’ (1975) e também à extrema-esquerda, que evitou que o país saísse de uma ditadura para regressar a um regime totalitário. Ele também é apontado como o maior responsável pelas negociações que culminaram na entrada de Portugal na União Europeia, em janeiro de 1986.

Mas quando se fala de independência das antigas colônias africanas – sobretudo Angola e Moçambique – Soares é, ainda para muitos, sobretudo os que tiveram de regressar ao país, apontado como ‘um traidor’. Os críticos alegam que ele "ofereceu os antigos territórios aos movimentos de libertação, sem se preocupar com a defesa dos interesses pessoais e materiais daqueles que serviram Portugal na África".

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