Espanha

Ex-presidente da Catalunha é julgado por referendo independentista

A chegada de Artur Mas para o julgamento foi marcada por grandes manifestações de apoio popular nas ruas de Barcelona
A chegada de Artur Mas para o julgamento foi marcada por grandes manifestações de apoio popular nas ruas de Barcelona REUTERS/Albert Gea

Começou nesta segunda-feira (6) o julgamento do ex-presidente catalão Artur Mas. Ele é acusado de desobediência por organizar em 2014 uma consulta popular sobre a independência desta região espanhola.

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Acompanhado por muitas autoridades catalãs, incluindo seu sucessor Carles Puigdemont, Mas e as outras duas acusadas chegaram com quase meia hora de atraso ao Palácio de Justiça de Barcelona, em uma ampla avenida convertida em um mar de bandeiras independentistas. "Aqui não se julga a independência, se julga a democracia", disse o ex-presidente da Catalunha antes da audiência. "É a primeira vez que um governo democrático é julgado por ter deixado o povo votar. É um momento inédito", acrescentou.

Artur Mas, que presidiu a Catalunha entre 2010 e 2016, sua ex-presidente Joana Ortega e a ex-responsável de Educação, Irene Rigau, deverão responder por supostos crimes de desobediência grave e prevaricação por organizar no dia 9 de novembro de 2014 esta consulta sem efeitos jurídicos.

Artur Mas pode ficar até dez anos sem exercer cargos públicos

O Tribunal Constitucional ordenou a suspensão do referendo informal poucos dias antes da realização, mas o executivo, ajudado por milhares de voluntários, seguiu adiante com a votação. A região conta com 7,5 milhões de habitante e cerca de 2,3 milhões de pessoas votaram.

Embora os voluntários tenham administrado a organização da consulta, o governo catalão se envolveu na preparação do voto, fornecendo o material necessário, comprando 7 mil computadores, abrindo as escolas públicas, colocando em andamento o dispositivo informático e fazendo campanhas informativas.

A procuradoria quer impor dez anos sem exercer cargos públicos para Mas e nove anos para suas colaboradoras. O julgamento deve se prolongar até sexta-feira (10) no Tribunal Superior de Justiça da Catalunha. Os três acusados, que depõem neste primeiro dia, já afirmaram que recorrerão até ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos (TEDH) se forem inabilitados.

(Com informações da AFP)

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