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Linha Direta

Repressão do governo espanhol fortalece independentistas na Catalunha

Áudio 04:58
Tensão entre polícia e eleitores em frente a um dos locais de votação, neste domingo
Tensão entre polícia e eleitores em frente a um dos locais de votação, neste domingo REUTERS/Susana Vera TPX IMAGES OF THE DAY
Por: RFI

O "sim" venceu com o 90% dos votos no referendo da Catalunha, abrindo caminho para a independência do governo catalão. A vitória foi marcada pela violência policial, que deixou mais de 90 feridos neste domingo (1).

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

De acordo com o porta-voz do governo catalão, Jordi Turull, o resultado final mostra que houve 2.020.144 votos a favor do "sim". O "não" registou 7, 8%, cerca de 176.566 votos. Apenas 2% dos catalães votaram em branco e 0,89% anularam o voto.

Os votos de fora da Catalunha e de 400 colégios fechados, que de acordo com Turull, equivaleriam a 770 mil cédulas eleitorais, ainda não foram contados. Ele afirmou que, apesar das dificuldades, o referendo foi rigoroso, para evitar fraudes. O presidente catalão Puigdemoint declarou, antes mesmo de apresentar os resultados, que a Catalunha tinha “adquirido o direito de ser um Estado independente”, pedindo à Europa para ser intermediária no processo.

Graças à falta de habilidade do premiê espanhol em lidar com a questão da Catalunha nos últimos anos e, especialmente, em relação ao referendo, os independentistas conseguiram duas coisas: votar e ganhar a atenção internacional. De acordo com a maioria das análises, os independentistas se fortaleceram e estão mais perto de alcançar o seu objetivo.

Muitos já dizem que nunca esquecerão a humilhação sofrida. Rajoy, talvez ainda não tenha percebido, mas já perdeu a Catalunha que, tanto diz, quer dentro da Espanha. Os próximos dias vão ser muito tensos politicamente. Nesta segunda-feira (2), o presidente Puigdemont anunciou que vai debater no Parlamento a declaração da independência da Catalunha. Hoje o presidente Rajoy também se reunirá com as forças políticas para iniciar um diálogo que, em suas palavras, permita “voltar à normalidade institucional”.

Greve geral

Na terça-feira (3) os catalães foram convocados para uma greve geral pelas plataformas independentistas Omnium Cultural e ANC, os sindicatos majoritários CCOO (Comissoes Operárias) e UGT (União Geral de Trabalhadores), juntamente com o partido anticapitalista CUP, em protesto contra "a repressão dos direitos fundamentais" ocorridas na Catalunha nas últimas semanas para impedir o referendo.

Na quarta-feira, se o Parlamento catalão aprovar a lei de desconexão da Catalunha da Espanha, Puigdemont deverá anunciar como o seu governo pretende implementar a independência.

Se isso acontecer, um dos cenários possíveis é que o governo espanhol aplique o artigo 155 da Constituição espanhola que, na prática, suspende a autonomia da Catalunha. Ou seja: a Catalunha perderia todas as competências, a administração da região voltaria para as mãos do governo espanhol e os dirigintes catalães poderiam ser presos.

Isso, longe de resolver a questão catalã, deverá complicar ainda mais a relação dos independentistas com o Estado espanhol. Nenhum governo espanhol aplicou esse artigo, portanto suas consequências são desconhecidas e, do ponto de vista da reação dos envolvidos, imprevisível.

Outro cenário possível é que se Rajoy não obtiver nenhum acordo com o governo catalão e nem o apoio suficiente para suspender a autonomia da Catalunha, sejam convocadas eleiçõe gerais. Se tendência das pesquisas se confirmar, o partido de Rajoy ganharia com maioria absoluta e essa possibilidade também não resolveria o conflito catalão. Esta semana vai ser chave para ver os passos do governo catalao e espanhol, mas o caminho promete ser longo e cheio de obstáculos.

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