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Suécia, Migração econômica, desemprego

Expulsão de estrangeiros qualificados preocupa empresários suecos

CEOs de grandes grupos suecos, como Ericsson e H&M, denunciam a expulsão de trabalhadores estrangeiros qualificados.
CEOs de grandes grupos suecos, como Ericsson e H&M, denunciam a expulsão de trabalhadores estrangeiros qualificados. WIKUS DE WET / AFP
Texto por: RFI
4 min

Os CEOs de grandes grupos suecos, como Ericsson e H&M, denunciaram nesta sexta-feira (16) a expulsão por motivos "burocráticos" de trabalhadores estrangeiros qualificados, em meio à escassez de mão de obra em alguns setores de ponta do país.

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"Essas expulsões prejudicam a economia produtiva. As empresas suecas precisam contratar em todo o mundo", escrevem no jornal financeiro "Dagens Industri" (DI) Börje Ekholm e Stefan Persson, junto com outros 30 CEOs do país escandinavo. "Não podemos esperar que engenheiros, técnicos de informática e outros especialistas deixem seus países se eles correm o risco de serem expulsos da Suécia por motivos imprevisíveis", explicam. 

Leis para evitar o "dumping social"

O Conselho de Migração foi recentemente criticado por expulsar migrantes econômicos pela menor violação - voluntária ou não - de suas condições de residência.

Em Lund - cidade ao sul -, por exemplo, o libanês Hussein Ismail, diretor-geral adjunto de uma empresa de biotecnologia criada em 2012, deverá deixar o país com mulher e filhos depois de precisar reduzir seu salário durante três meses em 2015, para tirar a empresa de um mau momento financeiro. A legislação sueca, que pretende impedir o "dumping" social, é muito estrita a esse respeito: se um trabalhador estrangeiro receber menos do que prevê a convenção coletiva de sua categoria, será enviado de volta a seu país. 

Outro risco é a expulsão por não terem tirado férias suficientes, ou por simples erros administrativos de empresas que contratam estrangeiros. O Conselho de Migração não se pronuncia sobre casos específicos, mas justifica suas decisões em nome da respeito às regras e à coerência do sistema. "Nós seguimos a legislação em vigor", diz Lisa Bergman, porta-voz da agência. 

Um argumento que não agrada os empregadores. "Essas normas absurdas enfraquecem a competitividade da Suécia", afirma Jenny Linden Urnes, presidente do grupo Linden. O CEO da Ericsson, Börje Ekholm, ameaça até mesmo transferir a sede da companhia. "Se a Ericsson quiser manter suas atividades de pesquisa na Suécia, a imigração econômica tem que funcionar de maneira transparente e previsível", previne o empresário.  

Dificuldades e desemprego

Os empregadores parecem ter sido ouvidos. Em dezembro, o Tribunal de Apelação do Conselho de Migração emitiu uma jurisprudência que pretende introduzir uma maior flexibilidade na análise dos processos. 

"Não é suficiente", insistem os empresários. Segundo Johan Attby, fundador da mídia social Fishbrain, Estocolmo deve encontrar 60.000 profissionais de tecnologia da informação até 2020 para não perder seu status de encubadora de start-ups. "O emprego continua a crescer em todas as frentes, e a escassez de mão de obra afeta vários setores: as perspectivas de emprego são boas em um número recorde de indústrias, quase 8 em cada 10", identificadas pela Agência Nacional do Emprego no último relatório publicado em 8 de fevereiro. As necessidades de engenheiros, professores e enfermeiras são flagrantes. 

A Suécia recebeu um número recorde de requerentes de asilo nos últimos anos, cerca de 400.000 desde 2012, uma bênção para este país envelhecido, mas que só dará frutos a longo prazo: muitos desses candidatos ainda estão na escola, outros não possuem as qualificações exigidas. "Você precisa, pelo menos, do ensino médio para se instalar permanentemente no mercado de trabalho", diz a Agência de Emprego.

O desemprego entre os estrangeiros é cinco vezes maior (20%) do que entre os nascidos na Suécia (4%), de acordo com o Instituto Nacional de Estatística. O índice nacional de desemprego foi de 6,5% em janeiro.

Com informações da AFP 
 

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