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Itália

Reverências a Deus e "Alá é Grande" marcam funerais de vítimas da tragédia em Gênova

Caixões com os corpos de vítimas do desabamento da ponte Morandi enfileirados no centro de exposições de Gênova.
Caixões com os corpos de vítimas do desabamento da ponte Morandi enfileirados no centro de exposições de Gênova. REUTERS/Massimo Pinca
Texto por: RFI
3 min

O município de Gênova e o governo da Itália realizaram neste sábado (18) uma cerimônia fúnebre nacional em homenagem às vítimas do desabamento parcial da ponte Morandi, ocorrido na última terça-feira (14). Durante a madrugada, as equipes de resgate localizaram novos corpos nos escombros do viaduto.

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Segundo a imprensa local, as vítimas seriam um casal e a filha de 9 anos que estavam na lista de cinco desaparecidos. Se a informação for confirmada, o desmoronamento do viaduto já teria deixado 41 mortos.

A metade das famílias das vítimas não compareceu à cerimônia oficial. Algumas preferiram um rito mais íntimo, outras literalmente boicotaram o funeral por considerar o Estado italiano responsável pela catástrofe.

Cerca de 1.800 convidados e autoridades italianas, como o presidente Sergio Mattarella e o chefe do governo, Giuseppe Conte, lotaram o salão do centro de exposições de Gênova. Bombeiros e policiais foram acolhidos com aplausos pela multidão que aguardava no interior e no lado de fora do centro de exposições, onde foram instalados telões para retransmissão ao vivo. O presidente Mattarella, durante longos minutos, abraçou e confortou familiares de vítimas.

O arcebispo de Gênova, Angelo Bagnasco, rezou uma missa de corpo presente diante de 18 caixões alinhados na sexta-feira (17), além da pequena urna branca de Samuele, de 8 anos, a vítima mais jovem, morta ao lado dos pais que se dirigiam ao porto para pegar uma balsa que os levaria de férias à Sardenha.

Cerimônia ecumênica

Em respeito a duas pessoas que eram de confissão muçulmana, um religioso do Islamismo participou do funeral ao lado de dezenas de padres presentes. O imã Mohamed Nour Dachan, presidente emérito da União das Comunidades e Organizações Islâmicas da Itália (Ucoii), disse que "oferecia a Deus orações para todas as vítimas".

"Estamos próximos de vocês e pedimos ao Senhor, que em sua infinita misericórdia ensinou a todos o valor dos laços [...], que nos torne conscientes de nossas responsabilidades. [...] As comunidades muçulmanas de Gênova, da Ligúria e de toda a Itália rezam pela paz. Que o Senhor proteja a Itália e os italianos", afirmou o imã diante da plateia em silêncio. Algumas vozes disseram, então, "Allahu Akbar", a expressão em árabe que significa "Alá é Grande" ou "Alá é o Maior", uma reverência à Deus bastante utilizada pelos muçulmanos, mas que se tornou também um grito de jihadistas durante ações terroristas.

Um dia de luto nacional foi declarado em todo o país: as bandeiras estão a meio mastro e a iluminação de muitos monumentos, incluindo o Coliseu de Roma, será apagada à noite.

Para a retomada do campeonato de futebol neste fim de semana, os jogadores vão observar um minuto de silêncio e usar uma braçadeira preta. As partidas das duas equipes de Gênova, Sampdoria e Gênova, no entanto, foram adiadas.

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