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Linha Direta

Brasil participa de conferência promovida pelos EUA para reforçar coalizão contra Irã

Áudio 06:25
Míssil iraniano em exposição em Teerã.
Míssil iraniano em exposição em Teerã. RFI/Nicolas Falez
11 min

Na semana em que o Irã celebrou 40 anos da Revolução Islâmica, os EUA pretendem mostrar sua visão sobre o Oriente Médio em uma Conferência Internacional, que começa nesta quarta-feira (13) em Varsóvia, na Polônia. Em reunião esnobada por potências europeias, o Brasil estará presente, mostrando alinhamento com a política externa de Trump.

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Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

Quando os EUA lançaram a idéia de organizar uma Conferência sobre o Oriente Médio, Bruxelas se mostrou reticente. Na época, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, assegurou que o Irã estaria no centro dos debates. Nenhum assunto desestabiliza mais a frágil parceria transatlântica do que o acordo nuclear iraniano. A polêmica reunião, que acontece nesta quarta (13) e quinta-feira (14) em Varsóvia com representantes de algumas dezenas de países - entre eles o Brasil, será realizada sem a presença do governo de Teerã, um dos principais atores do Oriente Médio.

O fato não causa nenhuma surpresa. Recentemente Pompeo afirmou que um dos objetivos do evento seria combater o que chamou de “influência desestabilizadora” do Irã na região. Por pressão de Bruxelas, a agenda foi ampliada e agora se define como um encontro para promover a paz e segurança no Oriente Médio. Mesmo assim, a chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, declinou o convite e alegou falta de espaço na agenda. O boicote de Mogherini reflete o vácuo entre Bruxelas e Washington sobre a questão iraniana. Alemanha e França, as principais potências do bloco, também não vão enviar ministros.

EUA pressionam Europa contra Teerã

A reunião convocada pelos EUA, acontece fora do âmbito de organismos multilaterais como as Nações Unidas e sem a presença da Rússia, Turquia, Irã, Iraque, Líbano, a Autoridade Palestina, entre outros. Originalmente, a conferência foi idealizada pela administração Trump para pressionar os países da União Europeia a adotarem uma postura mais firme contra o governo de Teerã.

No ano passado, Trump retirou os EUA do acordo nuclear com o Irã, em vigor desde 2016, e restabeleceu sanções ao país persa e anunciou que as empresas que atuassem em solo iraniano seriam penalizadas. No início deste mês, Bruxelas ratificou a Instex, entidade criada para que o bloco continue a negociar com o Irã.

Varsóvia apoia política de Trump contra Irã

A Polônia foi o primeiro país europeu que defendeu a reimposição das punições dos EUA, uma promessa de campanha de Trump. Ao promover o encontro em Varsóvia, Washington parece querer aproveitar da desunião do bloco sobre política externa. No final de 2015, quando o partido ultraconservador Lei e Justiça (PiS) chegou ao poder, a Polônia deu um considerável giro à direita com retrocesso democrático e desde então, está em confronto direto com Bruxelas. Segundo o jornal britânico Financial Times, a Conferência de Varsóvia será no melhor dos casos, uma perda de tempo, no pior, uma provocação.

Brasil quer se alinhar à política externa de Trump

A presença do chanceler brasileiro Ernesto Araújo em Varsóvia reforça a intenção do governo Bolsonaro em se alinhar à política externa dos EUA. Recentemente, o diplomata afirmou que o céu seria o limite na relação entre os dois países. Na Polônia, o Brasil deve continuar seguindo os passos de Trump. O Brasil, que exporta principalmente commodities para o Irã, ainda não sofre com as sanções americanas. Cerca de 90% das exportações brasileiras para o mercado iraniano são de produtos agropecuários: soja, milho e carnes, principalmente a bovina. Porém, o risco de perder esse mercado é real se Bolsonaro levar adiante o plano de transferir a embaixada do Brasil em Tel Aviv para Jerusalém.

Lista de presença incerta

Às vésperas da abertura do encontro, a lista dos países que irá enviar ministros e altos representantes para Varsóvia ainda é incerta. Entre as presenças confirmadas estão o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo. O conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner, deve apresentar uma proposta de paz para o conflito israelo-palestino na quinta-feira.

Com exceção da Grã-Bretanha, os países europeus enviarão representantes de baixo escalão e os países árabes alinhados com Washington confirmaram a presença de seus ministros. O presidente iraniano, Hassan Rohani, que não foi convidado para o evento, desembarca na Rússia para uma reunião com o presidente Vladimir Putin e seu colega turco, Recepp Tayyip Erdogan.

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