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Linha Direta

Incertezas com Brexit podem até deter pets na fronteira

Áudio 05:34
Brexit: Pode ficar difícil até mesmo atravessar com animais de estimação o canal da Mancha a partir do dia 29 de março.
Brexit: Pode ficar difícil até mesmo atravessar com animais de estimação o canal da Mancha a partir do dia 29 de março. REUTERS/Hannah McKay
12 min

A 43 dias de um Brexit que pode ser radical, os britânicos se perguntam como a sua vida cotidiana pode mudar. Essas mudanças vão beneficiá-los ou prejudicá-los? As idas e vindas no parlamento, como a nova votação dessa quinta-feira (14), não ajudam a esclarecer as dúvidas. Aos poucos, todos vão percebendo que o seu dia a dia será afetado de maneiras que nem sequer eles imaginavam. Pode ficar difícil até mesmo atravessar com animais de estimação o canal da Mancha a partir do dia 29 de março.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

Continua pouco claro como se dará o Brexit e a nova votação desta quinta-feira no Parlamento está longe de resolver o problema. Foi uma derrota com duas consequências. Primeiro, ela demonstra que a primeira-ministra Theresa May continua sem conseguir unir o próprio partido em torno de sua liderança na condução do Brexit. Segundo, ela fragiliza a posição de negociadora da premiê ante a UE, que já não demonstrava disposição para concessões e terá ainda menos incentivos para oferecê-las.

Tudo isso a cinco semanas do Brexit. O que é certo até agora é que, se tudo seguir como previsto, depois do dia 29 de março, o Reino Unido já não fará mais parte da União Europeia. Resta saber se vai deixar o bloco por bem, ou por mal, quer dizer, sem um acordo.

Mudanças na vida das pessoas após o Brexit

Mudanças na vida das pessoas serão importantes sobretudo se não houver um acordo. Com um entendimento, tudo continua igual pelos próximos anos e as autoridades dos dois lados terão tempo para adaptar as minúcias do dia a dia do cidadão, e não são poucas. Só agora as pessoas se dão conta disso.

Sem acordo, vai ser tudo feito às pressas e pequenas questões podem virar grandes dores de cabeça. Por exemplo, atravessar o canal da Mancha com animais de estimação. Hoje, existe uma série de regras que permitem sair do Reino Unido para a União Europeia com o seu bichinho. Em geral, não há burocracias para ir ao continente. É mais complicado voltar. As regras sempre são mais rígidas em ilhas, como é o caso do Reino Unido.

Eurotunnel alerta donos de pets

Ainda não se sabe o que vai mudar. O Eurotunnel envia uma carta aos clientes que costumam atravessar com um cachorro, orientando para só viajar depois do dia 29 de março se for estritamente necessário.

Os veterinários estão alertando os donos dos animais. É assim, cada animal de companhia na Europa tem uma espécie de passaporte, com as vacinas, vermífugos e atestados de saúde para circular. Quando você sai do Reino Unido para o continente, em geral nem precisa mostrá-lo. Mas, quando volta, é preciso parar no posto de vigilância sanitária para apresentar o documento às autoridades, que vão procurar a data do carimbo do veterinário com a última aplicação de vermífugo, e isso deve ser feito de um a cinco dias antes da viagem. O chip implantado no animal também é verificado para ver se bate com o que está marcado no passaporte. Parece complicado? É um pouco, porque você precisa sempre marcar uma consulta veterinária, e pagá-la, claro, para atualizar o documento.

Mas, se não houver um acordo do Brexit, tudo por ser ainda mais complicado. As exigências podem passar a ser dos dois lados. Um veterinário me disse que existe até mesmo a possiblidade de se cobrar um teste sorológico do animal, que prova que ele tem anticorpos contra a raiva. Esse exame, que hoje não é cobrado, é caro. Precisa ser feito uma vez na vida se o animal for vacinado todos os anos. Mas a viagem só pode ser feita depois de três meses que ele for feito.

Ou seja, isso pode criar uma grande confusão nos primeiros meses, obrigando as pessoas a cancelarem ou adiarem viagens com os seus bichinhos. No limite, animais podem ficar presos de um lado ou do outro da fronteira.

Por enquanto, as autoridades dizem apenas que é preciso estar atento às regras, que tudo pode mudar, e que se deve monitorar a página do governo britânico na internet para saber. Essa é orientação dos panfletos que estão sendo distribuídos na fronteira.

Riscos para os intercâmbios universitários

Há muitas outras dúvidas no ar. Estudantes universitários temem pelo futuro. Há um constante intercâmbio entre as universidades europeias, devido ao programa europeu de intercâmbio. Hoje, os alunos não precisam de visto para estudar no Reino Unido. Mas pode ser que precisem de um daqui para frente.

As pesquisas conjuntas nas universidades também podem ter de mudar, com o trânsito dos profissionais de um lado a outro da fronteira, com a questão dos recursos para financiamento. Todas as universidades colocaram um aviso em destaque nas suas páginas na internet, com perguntas e respostas, tentando tranquilizar os alunos na medida do possível.

Roaming europeu

A minha companhia de telefone me escreveu, avisando que tudo vai ficar igual depois do dia 29 de março. Isto é, que vai continuar a não cobrar o roaming sobre as ligações que eu receber ou fizer do meu telefone britânico, se estiver em outro país europeu.

Essa é uma grande dúvida das pessoas. Hoje, ninguém pensa nisso. Viaja e liga o telefone. A mobilidade na Europa é imensa. Em duas horas, você sai de Londres de trem e está em Paris.

A questão do roaming desde que morei em Bruxelas, há 12 anos, sempre foi um tema caro à União Europeia. E, no fundo, depois de muitos anos de discussão, uma grande vitória. Não há cobrança de roaming entre os países da UE. Mas as companhias britânicas vão ter de negociar isso tudo de novo.

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