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Imprensa

Partido Vox representa a extrema direita "descomplexada" da Espanha, diz Le Monde

Reprodução de matéria publicada na edição desta segunda-feira (22) do jornal Le Monde.
Reprodução de matéria publicada na edição desta segunda-feira (22) do jornal Le Monde. Reprodução/Le Monde
Texto por: RFI
3 min

A edição desta segunda-feira (22) do jornal Le Monde analisa a ascensão da extrema direita na Espanha com um novo partido, o Vox. Segundo o diário, a legenda populista criada em 2013 impõe ideias abertamente franquistas no país.

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Para Sandrine Morel, correspondente do jornal Le Monde em Madri, o partido Vox se apresenta como uma extrema-direita "descomplexada". Em um recente comício realizado na periferia da capital espanhola, o líder da legenda, Santiago Abascal, classificou as regiões autônomas espanholas como o "câncer do país", os progressistas como ditadores, além de atacar feministas e muçulmanos, e afirmar que a União Europeia ameaça a soberania espanhola.

O discurso agrada os círculos mais populares, lotando os comícios do partido na campanha para as eleições legislativas de 28 de abril. O sucesso é tanto que "os analistas políticos começam a se questionar se as pesquisas de opinião, que apontam cerca de 12% de votos ao Vox não estariam minimizando a ascensão da formação ultrarreacionária e nacionalista espanhola", diz a matéria. Le Monde lembra que a quantidade de eleitores indecisos - 40% - bate o recorde no país.

O pano de fundo para tamanha popularidade é, segundo a correspondente do diário, a tentativa de independência da Catalunha, em 2017. O Vox é o único partido a prometer a proibição de legendas separatistas, além de uma recentralização total da Espanha, suprimindo os 17 governos e Parlamentos regionais, política colocada em prática após o fim da ditadura de Franco.

Partido ganha apoio popular ao denunciar "crise moral" na Espanha

O discurso populista do Vox exalta o passado glorioso da Espanha, o catolicismo, a família tradicional, a caça, as touradas, seduzindo um eleitorado masculino de 25 a 44 anos, decepcionado com a direita, originário do interior e dos meios rurais. O porta-voz do partido, Rocio Monasterio, ultracatólico, anti-aborto e contra o casamento entre homossexuais, denuncia "uma crise moral na Espanha", onde, segundo dele, devido ao feminismo radical, que impede que mais de 100 mil bebês nasçam a cada ano.

Segundo Le Monde, esse tipo de discurso não é novo no país e vem sendo liderado por figuras midiáticas e polêmicas. Para o jornal, o partido também ganha espaço à medida que os espanhóis observam o mesmo tipo de fenômeno se popularizar na Polônia, com o partido ultranacionalista Direito e Justiça, e de personalidades ultrarradicais na Europa, como Viktor Orban, na Hungria, e Marine Le Pen, na França.

Ainda que os socialistas do PSOE estejam na frente na corrida eleitoral, com 30% das intenções de voto, o conservador Partido Popular e o liberal Ciudadanos não descartam uma aliança com o Vox. "A Espanha, que acreditava estar imune contra a extrema direita desde a ditadura de Franco, não contava com um partido como esse desde 1982", conclui Le Monde.

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