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Alemanha/antissemitismo

Luta contra antissemitismo: jornal alemão traz acessório judeu para recortar

Capa do jornal Bild desta segunda-feira, 27 de maio de 2019.
Capa do jornal Bild desta segunda-feira, 27 de maio de 2019. Reprodução BILD
Texto por: RFI
2 min

O Bild, o jornal mais lido na Alemanha, oferece em sua edição impressa desta segunda-feira (27) um quipá para recortar na luta contra o antissemitismo, em um país que registra um aumento inédito de ataques contra a população judaica.

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O comissário alemão contra o antissemitismo, Felix Klein, alertou no sábado (25) contra o uso do quipá, o tradicional acessório judeu. Na Alemanha e em Israel, no entanto, uma grande reação contestou a observação de Klein, afirmando que os judeus deveriam assumir sem problemas sua filiação religiosa.

Questionado sobre as declarações de Klein, o porta-voz de Angela Merkel também criticou o comissário. "O Estado deve assegurar que o livre exercício da religião por todos seja possível e garantir que todos possam se locomover com segurança com um quipá em qualquer lugar do nosso país", disse Steffen Seibert, durante uma conferência de imprensa.

“Solidários”

O jornal Bild decidiu tomar partido neste debate, chamando seus leitores a, "em solidariedade com (seus) vizinhos judeus", "construir (seu) próprio quipá em quatro passos simples e levantar a bandeira contra o antissemitismo". Os leitores podem recortar o acessório, no qual figura de uma estrela de Davi, e usá-lo normalmente.

No ano passado, dois outros diários, o TAZ e o Tagesspiegel, já haviam sugerido aos seus leitores que recortassem uma imagem de um quipá, publicado na capa. A iniciativa se destina a denunciar um ataque antissemita que chocou Berlim, quando um judeu usando um quipá foi espancado com um cinto por um sírio no bairro chique de Prenzlauer Berg. A vítima conseguiu filmar parte da cena e postar na internet.

As autoridades políticas alemãs têm abertamente se preocupado com o antissemitismo importado por migrantes de países hostis a Israel, como os sírios, iraquianos ou afegãos que chegaram em massa no país, em 2015 e 2016.

As últimas estatísticas do Ministério do Interior, no entanto, mostraram que os autores de crimes antissemitas eram predominantemente (90%) de círculos de extrema-direita.

Apesar de décadas de arrependimento pelo Holocausto nazista, o crescimento do antissemitismo na Alemanha não é exceção na Europa, onde, como na França, os ataques contra os judeus se espalharam. Os crimes antissemitas aumentaram em cerca de 20% na Alemanha no ano passado, de acordo com o Ministério do Interior.

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