Espanha/ Catalunha

Independentistas catalães voltam a protestar, e extrema direita denuncia “separatismo criminoso”

Milhares de pessoas foram às ruas de Barcelona para pedir independência da Catalunha e liberdade para líderes separatistas condenados à prisão. (25/10/2019)
Milhares de pessoas foram às ruas de Barcelona para pedir independência da Catalunha e liberdade para líderes separatistas condenados à prisão. (25/10/2019) REUTERS/Albert Gea

Uma semana após os violentos confrontos que se seguiram à condenação de líderes separatistas Catalunha, milhares de independentistas voltaram às ruas neste sábado (26) em Barcelona. Enquanto isso, em Madri, o partido de extrema direita Vox protestou contra o “separatismo criminoso” e defendeu o nacionalismo espanhol.

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O fim de semana será marcado por atos a favor e contra a independência da região espanhola. Neste sábado, os separatistas protestaram perto do parlamento catalão, em Barcelona.

Aos gritos de "independência" e "liberdade aos presos políticos", 350 mil pessoas, segundo a polícia, se reuniram perto do Parlamento da Catalunha, convocados pelas associações Assembleia Nacional da Catalunha e Omnium Cultural, que organizam regularmente manifestações em massa.

Elisenda Paluzie, presidente da ANC, pediu em um discurso uma "resposta política". Um helicóptero da polícia que sobrevoava a área foi vaiado pela multidão, marchando sob uma maré de bandeiras catalãs e entre faixas com mensagens como "República Catalã" ou "anistia".

No fim da tarde, alguns milhares de manifestantes mais radicais, convocados pelos Comitês de Defesa da República (CDR), manifestaram-se perto da sede da Polícia Nacional na capital catalã contra a "repressão policial". Os manifestantes, que cantaram "fora, forças de ocupação" e "fora, bandeira espanhola", jogaram objetos como latas, bolas e garrafas na polícia de choque nas ruas adjacentes. Apesar da tensão, a polícia estava passiva.

Contra a independência

Já na capital, Madri, o líder do partido de extrema direita Vox, Santiago Abascal, denunciou a “traição dos socialistas” na gestão da questão catalã. Diante de milhares de pessoas empunhando a bandeira da Espanha, Abascal disse que apenas o seu partido nacionalista é capaz de resolver o impasse. O Vox defende a proibição de todos os partidos regionais pró-independência.

“Viva a Espanha”, diziam os manifestantes.

No domingo (27), será a vez dos catalães contrários à secessão irem às ruas, no bairro barcelonês de Gracia. A marcha pretende "dizer basta” à violência dos últimos dias e “ao confronto" buscado pelo governo separatista regional, disse à AFP o presidente da associação Sociedade Civil Catalã, Fernando Sánchez Costa.

"Esta é uma mensagem importante para a Catalunha, Espanha e o mundo, onde frequentemente confundimos separatismo e Catalunha", mas "somos a maioria", ressaltou.

Membros do governo socialista, incluindo o ministro das Relações Exteriores, o catalão Josep Borrell, que será chefe da diplomacia europeia, participarão da marcha. Também marcarão presença políticos da oposição de direita, que pedem ao governo medidas excepcionais contra a violência na Catalunha, antes das eleições legislativas de 10 de novembro.

Essas serão as primeiras grandes manifestações em Barcelona desde os distúrbios que deixaram cerca de 600 feridos na Catalunha nos dias seguintes à condenação de nove líderes separatistas a penas de até 13 anos de prisão.

Em 14 de outubro, cerca de 10 mil pessoas tentaram paralisar o aeroporto de Barcelona, entrando em choque com a polícia. Depois, de terça a sexta-feira, manifestações nas principais cidades desta região, de 7,5 milhões de habitantes, acabaram em violência.

Muitos jovens justificaram as depredações pela falta de resultados das grandes marchas pacíficas. Um total de 367 civis ficaram feridos e quatro deles perderam um olho, segundo a secretaria de saúde do governo regional catalão, e 289 policiais ficaram feridos, segundo a porta-voz do governo espanhol.

Com informações AFP

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