Acessar o conteúdo principal
Linha Direta

Movimento antifascista na Itália se une a protestos contra crise climática

Áudio 05:04
Jovens prometem grandes manifestações nesta 4ª jornada "Friday for Future", movimento inspirado na ativista Greta Thunberg para denunciar o aquecimento global.
Jovens prometem grandes manifestações nesta 4ª jornada "Friday for Future", movimento inspirado na ativista Greta Thunberg para denunciar o aquecimento global. PRAKASH MATHEMA / AFP
Por: Gina Marques
10 min

O movimento Fridays for Future, que mobiliza estudantes do mundo inteiro contra as mudanças climáticas, ganha força na Itália com a adesão de jovens domovimento antifascista das Sardinhas. Milhares de estudantes de cerca de 150 países voltaram a manifestar pacificamente nesta sexta-feira (29) para pressionar os líderes mundiais que se reúnem a partir da próxima segunda-feira, na Conferência do Clima da ONU em Madri, a COP 25.  

Publicidade

Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Em cerca de 100 cidades, de norte a sul da Itália, jovens protestaram pedindo providências urgentes contra o aquecimento global. Nestas cidades o trânsito ficou paralisado e teve que ser desviado. As recentes enchentes em Veneza e em outras regiões italianas sensibilizaram ainda mais a população.

O movimento, iniciado pela estudante sueca Greta Thunberg, pede o fim do uso de combustíveis fósseis e das emissões de gases poluentes globais até 2050, e na Itália até 2030. Esta reivindicação corresponde às metas fixadas pela ciência para manter o aumento médio da temperatura global em +1,5 graus e evitar as graves consequências da crise climática. Além disso, os jovens pedem que a transição energética seja implementada em escala global e que os líderes mundiais ouçam o que dizem os cientistas. Segundo os organizadores, falta vontade política e econômica para fazer estas mudanças.

Movimento das Sardinhas

A mobilização geral pelo clima ganhou mais força na Itália com a adesão do movimento das Sardinhas que surgiu recentemente no país. A formação do grupo partiu da ideia de quatro jovens que, no último 15 de novembro, organizaram um protesto em Bolonha, durante o comício de Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita. Usando as redes sociais, os jovens convocaram um protesto na Piazza Maggiore, uma praça central de Bolonha ponto histórico de manifestações da esquerda, avisando que o local poderia abrigar seis mil pessoas apertadas como uma lata de sardinhas. O movimento reuniu em tempo recorde cerca de 15 mil pessoas e o sucesso da iniciativa se espalhou por toda Itália.

A página do movimento na Internet, Arquipélago das Sardinhas, já conta com mais de 36 mil seguidores e tem o objetivo de criar um grupo para coordenar pessoas que se reconhecem dentro dos valores antifascismo. Os organizadores pedem para que nenhum manifestante traga bandeiras de partidos, somente cartazes com imagens coloridas de sardinhas. O movimento se transformou em pouco tempo no símbolo dos jovens antifascistas.

A porta-voz do Fridays for Future da Itália, Marianna Panzarino, explicou que convidou o Movimento das Sardinhas a participar da manifestação para unir forças. “Estamos convencidos de que os objetivos pelos quais lutamos são complementares e geralmente coincidem”.

Medidas contra o aquecimento global

O governo italiano pretende lançar um plano para os próximos dez anos, chamado Green New Deal, cujo principal objetivo é chegar a uma transição energética usando 65% de fontes renováveis até 2030. O governo quer investir € 55 bilhões nos próximos anos para financiar o desenvolvimento sustentável do país.

O ministro do Meio Ambiente Sergio Costa explicou que este projeto de sustentabilidade poderá trazer para a Itália € 200 bilhões em novos investimento e mais de 800 mil empregos até 2030. No entanto, esta transformação requer financiamentos e muitas vezes medidas impopulares.

No projeto de lei para o orçamento de 2020 que governo italiano está preparando, por exemplo, foi inserido um imposto sobre o plástico e aos carros de empresas. A medida causou grande polêmica na Itália e o governo teve que recuar, redimensionando o projeto. A proposta tributária do plástico agitou empresas do setor e associações de consumidores. O imposto (de um euro por quilograma) seria aplicado às embalagens com um prazo bastante amplo. Segundo a associação dos consumidores, Federconsumatori, este imposto incrementaria o preço final dos produtos e cada família teria que enfrentar um aumento nas despesas de cerca de € 138 por ano.

O dilema é que a população é sensível às mudanças climáticas, mas não está disposta a sacrificar o próprio bolso. Um ditado italiano diz: é necessário se preocupar com o fim do mundo, mas primeiro tenho que pensar como chegar ao fim do mês.

 

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.