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Linha Direta

Tensão marca cúpula do aniversário de 70 anos da Otan em Londres

Áudio 04:50
O Presidente dos EUA, Donald Trump,  antes da abertura da Cúpula da OTAN em Watford, Londres, Grã-Bretanha, 03/12/2019
O Presidente dos EUA, Donald Trump, antes da abertura da Cúpula da OTAN em Watford, Londres, Grã-Bretanha, 03/12/2019 REUTERS/Kevin Lamarque
Por: Maria Luísa Cavalcanti
9 min

Líderes de 29 países se reúnem a partir desta terça-feira (3) em Londres para uma cúpula que vai celebrar os 70 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Apesar do aniversário, o clima não é de festa. O evento começa marcado pelas visões opostas sobre o conflito na Síria e a recente incursão da Turquia em áreas de controle curdo.

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Correspondente da RFI em Londres

No início de novembro, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a Otan sofre de "morte cerebral" ao não ter evitado os ataques turcos, provocando a ira do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. Os dois estarão frente a frente em um encontro fechado na sede do governo britânico em Downing Street, com a presença do primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, e da chanceler alemã, Angela Merkel.

O futuro da Otan, aos 70 anos, também é outro ponto polêmico. O presidente americano, Donald Trump, vem pressionando os demais membros para incrementar seus investimentos na aliança. Os países concordaram em alocar no mínimo 2% de seu PIB para gastos em defesa, mas muitos ainda não o fazem. Trump também tem exigido uma posição mais firme da organização para conter a China, que ele vê como uma grande rival expansionista, mas é mais reservado quando o assunto é a Rússia, que outros países veem como a principal ameaça à paz mundial. 

Ingerência de Trump nas eleições britânicas

A nove dias das eleições gerais britânicas, os olhares estão voltados para Trump, na expectativa de que ele tente interferir na campanha de alguma maneira. Famoso por fazer comentários imprevisíveis sobre todo tipo de assunto, ele nunca escondeu que defende o Brexit e comemorou quando Boris Johnson tomou posse, em julho, chamando-o de “Trump britânico”. Em outubro, no início da campanha eleitoral, o presidente afirmou que o premiê britânico deveria fazer uma aliança com o Partido do Brexit, do ultradireitista Nigel Farage, o que não pegou bem com o eleitorado.

O Partido Conservador está liderando as pesquisas de opinião e o primeiro-ministro não quer ter sua imagem associada ao presidente americano neste momento. A equipe de campanha de Johnson está tensa porque acredita que isso seria prejudicial a ele como candidato.

Por isso, Johnson pediu publicamente que Trump não comentasse sobre as eleições e seus assessores estão fazendo de tudo para manter ambos os líderes o mais longe possível um do outro durante estes dois dias de cúpula. Mas todos os eventos programados estão cheios de jornalistas e políticos ávidos por capturar tudo o que Trump disser. O presidente americano também dará uma entrevista coletiva na quarta-feira (4).

Sistema de saúde britânico no foco

Já o principal partido de oposição, o Trabalhista, está tentando capitalizar ao máximo a presença de Trump em Londres a seu favor, principalmente no que diz respeito ao NHS, o sistema público de saúde britânico, equivalente ao SUS brasileiro. O líder trabalhista, Jeremy Corbyn tem tentado fazer do NHS a peça central da sua campanha e acusa o governo conservador, há nove anos no poder, de estar privatizando o sistema de saúde pouco a pouco. 

Na semana passada, o opositor divulgou documentos que indicam que o governo de Boris Johnson já estaria negociando concessões especiais para empresas farmacêuticas americanas como parte de um possível acordo comercial com os Estados Unidos. Corbyn é esperado para uma recepção no Palácio de Buckingham na noite desta terça-feira, ao lado da rainha Elizabeth, de Johnson e dos líderes dos países da Otan.

Do lado de fora, médicos, enfermeiros e outros funcionários do NHS estão programando um grande protesto, ao lado também dos familiares das vítimas do ataque extremista ocorrido em London Bridge na última sexta-feira (29). Boa parte da opinião pública do Reino Unido está insatisfeita com a maneira como a tragédia está sendo usada como instrumento de campanha.

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