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Coronavírus/União Europeia

UE vai financiar vacina contra coronavírus: saiba como cada país inova no combate à doença

Demonstração de um teste do coronavírus no hospital universitário de Essen, no oeste da Alemanha.
Demonstração de um teste do coronavírus no hospital universitário de Essen, no oeste da Alemanha. REUTERS/Wolfgang Rattay

Um carro se aproxima de um drive-thru, entra na fila e, quando chega a sua vez, o motorista abre o vidro e a boca. Não para comer um hambúrguer, mas para que recolham uma amostra de muco da garganta para o teste do novo coronavírus. Esta não é uma cena de ficção, é vida real em ação em países da União Europeia.

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Correspondente da RFI em Bruxelas

É assim que o Hospital de Gross-Gerau, pequena cidade alemã, próxima a Frankfurt, lida com pessoas que suspeitam ter contraído o vírus, minimizando o risco de exposição da equipe médica e pacientes. O resultado deste teste realizado no carro do paciente chega através de um telefonema em menos de 24 horas.

Enquanto na China os casos de Covid-19 diminuem, a disseminação da doença cresce na Europa. Na terça-feira (10), os líderes europeus concordaram em financiar pesquisadores para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus e adotar ações coordenadas para a aquisição de medicamentos, aparelhos médicos e equipamento de proteção hospitalar. Além disso, os estoques serão inventariados e a capacidade de produção de remédios avaliados a fim de ajudar a preparar os sistemas de saúde do bloco.

Após a videoconferência entre os chefes de Estado e governo da UE, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um fundo de investimento de € 25 bilhões para apoiar os sistemas de saúde, empregos e pequenas empresas do bloco. “Iremos usar todos os fundos disponíveis para que a economia na União Europeia resista, seja resiliente e enfrente a tempestade”, ressaltou.

60 milhões de italianos em quarentena

A Itália continua na triste liderança com o maior número de mortes e infectados pelo Covid-19 no bloco europeu. O país inteiro está em quarentena para tentar conter o novo coronavírus que tem sido veloz e feroz em solo italiano. Em menos de 20 dias, mais de 10 mil casos diagnosticados e 631 mortes.

Em uma tentativa para conter estes números dramáticos, o governo italiano impôs restrições rígidas. Toda a Itália, 60 milhões de pessoas, deve ficar em casa. Escolas e universidades estão fechadas, os eventos públicos – museus, cinemas, teatros, shows, jogos esportivos – foram cancelados.

Apesar do caos, há quem acredite que a crise trouxe o melhor das pessoas. “Tem gente fazendo serviço de entrega para os idosos evitando assim que eles saiam de casa, há também crowdfunding – financiamento coletivo – para hospitais em dificuldades”, contou uma estudante italiana.

Governos europeus tentam acalmar população

No resto da Europa, a palavra de ordem é não entrar em pânico mas seguir as instruções básicas de lavar as mãos regularmente e evitar aglomerações. Mesmo assim, não há mais máscaras disponíveis nas farmácias; muitas delas tem listas de espera e nem sabem quando irão receber o produto.

Em Bruxelas, sede da União Europeia, 300 eventos foram cancelados no Parlamento Europeu. A entrada de centenas de visitantes diários nos prédios das instituições europeias foi proibida e permitida apenas para funcionários, que provavelmente devem aderir ao home-office, caso a crise aumente no país. O próprio presidente do legislativo do bloco, David Sassoli se auto impôs um isolamento em casa durante duas semanas após voltar da Itália.

A Espanha registrou mais de 1.600 casos do Covid-19 e 35 mortes. As autoridades das regiões mais afetadas – Madri, País Basco e La Rioja – anunciaram o fechamento de escolas, universidades e creches até o final do mês. Os vôos entre a Espanha e Itália foram suspensos e os jogos de futebol do Campeonato La Liga serão realizados em estádios vazios durante as próximas duas semanas.

Já a França – com 1.784 casos e 33 mortes – proibiu as reuniões com mais de mil pessoas em todo o território nacional. A Maratona de Paris e a partida de rugby Six Nations contra a Irlanda foram adiadas para outubro. Até o momento, há quatro regiões de risco no país: Morbihan, na Bretanha, Haute-Savoie, no leste francês, perto da fronteira suíça, e os departamentos de Oise e Haute-Rhin, no nordeste da França.

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu que a população restrinja visitas a idosos para protegê-los. O governo também divulgou um valor-limite para o preço do álcool em gel. "Estamos apenas no início desta epidemia", afirmou o chefe de Estado, em visita à sede do Samu de Paris na terça-feira (10).

Seguindo os passos dos países vizinhos, a Alemanha que tem mais de 1.200 casos confirmados do novo coronavírus e duas mortes, desincentivou a concentração de mais de mil pessoas colocando a segurança em primeiro lugar. Berlim anulou os espetáculos em todas as óperas, teatros e salas de concerto.

Pela primeira vez na história da Bundesliga, a principal competição de futebol do país, os jogos acontecerão sem a presença de torcedores. O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, afirmou que “restringir a vida pública não é uma decisão fácil. O público faz parte da democracia e deve permanecer desta maneira. Portanto, é preciso ser atento e prudente”.

Coronavírus afeta economia

Além do impacto na vida cotidiana, do medo que leva muitos europeus a estocarem comida, a crise do novo coronavírus começa a afetar economias de alguns países do bloco.

A Itália estima que perderá 32 milhões de turistas nos próximos três meses, equivalente a um rombo de € 5 bilhões. De acordo com a Confesercenti Nazionale, associação que representa as empresas de comércio, turismo e serviços do país, o produto interno bruto (PIB) italiano terá um perda de € 8 bilhões. O governo italiano pediu à Bruxelas um socorro de € 10 bilhões, com moratória para o pagamento de dívidas e hipotecas.

Nesta semana, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que a epidemia do novo coronavírus está afundando a economia mundial em sua pior recessão desde a crise econômica global, e pediu a governos e bancos centrais que lutem para evitar uma queda mais profunda. Com a ameaça de recessão na zona do euro, o Banco Central Europeu (BCE) deve anunciar medidas importantes na reunião desta quinta-feira (12). Será um batismo de fogo para a presidente do BCE, Christine Lagarde.

Enquanto isso, os governos dos países mais afetados pela crise do coronavírus na Europa tem anunciado pacotes de ajuda, redução de impostos e créditos tributários para evitar falências e desemprego. Além da criação do fundo para mitigar os impactos da epidemia, a União Europeia vai relaxar regras fiscais e regulação sobre ajuda do Estado para facitar os gastos públicos. O que resta saber é quanto tempo vai durar esta epidemia. 

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