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Linha Direta

Alemanha restringe eventos públicos para conter coronavírus

Áudio 04:17
Merkel afirma que 70% dos alemães podem contrair o coronavírus.
Merkel afirma que 70% dos alemães podem contrair o coronavírus. REUTERS/Axel Schmidt
Por: Márcio Damasceno
8 min

Pela primeira vez nos 57 anos da Bundesliga, a primeira divisão do futebol alemão teve, na noite desta quarta-feira (11), um jogo com arquibancadas vazias. As próximas partidas do campeonato, nesta semana, serão realizadas sem a presença do público. Na Alemanha, a crise do coronavírus provoca o cancelamento de cada vez mais eventos públicos, enquanto a chefe de governo, Angela Merkel, afirma que até 70% da população deverá ser infectada pela doença.

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A partida entre Mönchengladbach e Colônia foi o que a imprensa alemã chamou de “um jogo sem sentimento”, sem emoção, melancólico. Se bem que a torcida marcou presença, mesmo do lado de fora. Apesar do tempo frio e chuvoso, centenas de torcedores do Gladbach se reuniram na porta do estádio, na cidade de Gladbach, cantando hinos e gritando pelo seu time de coração.

As imagens foram mostradas nos telejornais no horário nobre. Os torcedores do Gladbach disseram que encontram pessoas nas ruas, nos supermercados, nas lojas, e não veem motivo para deixar de ir a um jogo de futebol. Parece que valeu a pena, o time da casa venceu o jogo por 2 a 1.

Outros se reuniram em bares lotados para acompanhar a partida pela televisão, apesar da crise do coronavírus. O jogo ocorreu de portas fechadas porque o governo do Estado de Renânia do Norte-Vestfália proibiu eventos com mais de mil participantes.

Disseminação da doença e resposta das autoridades

A tática do goverrno parece seguir o lema da chanceler Angela Merkel. Na primeira coletiva sobre a crise de coronavírus, ela afirmou serem “necessárias união, solidariedade e razão” para lidar com a doença. A Alemanha registrava na noite de quarta-feira 1.567 infecções e três mortes pelo coronavírus.

A meta principal do governo é ganhar tempo, tentar deter a velocidade de disseminação do vírus ao máximo, para que as clínicas, hospitais e centros de tratamento intensivo não sejam sobrecarregados e tenham tempo de se equipar para uma situação de maior demanda por leitos. O foco, segundo Merkel, deve ser proteger os mais velhos e as pessoas de saúde mais frágil.

Restrição da vida pública

Até o momento, o governo se limita a recomendar que eventos de até mil pessoas sejam cancelados e que os alemães evitem grandes aglomerações. Outra recomendação é evitar viagens, principalmente para áreas de risco.

As autoridades federais parecem encarar a situação com seriedade, mas também se preocupam em não provocar pânico. Pânico que, de certa forma, já acontece em parte no país, com pessoas limpando prateleiras de supermercados para estocar em casa itens como enlatados e produtos de higiene.

Descentralização

Existe outra diferença em relação a países como Itália e China, que é a forte descentralização do sistema administrativo alemão. Certas decisões só podem ser tomadas na Alemanha pelas administrações estaduais e municipais. Com isso, alguns estados alemães já decidiram proibir grandes eventos e adiar o início do próximo semestre letivo em universidades, outros não. Mas já existem associações de professores que pedem um fechamento generalizado de escolas no país, o que só tem acontecido até agora de forma isolada.

Situação na capital

Em Berlim há 81 casos confirmados. O governo local decidiu proibir eventos com mais de mil participantes até o dia 19 de abril. Mas algumas entidades já pedem a proibição genérica de eventos na cidade.

O primeiro deputado do Parlamento alemão foi testado positivo. Entretanto, as sessões no Bundestag são realizadas normalmente.

A partir desta quinta-feira (11), uma faixa de plástico separa os motoristas de ônibus em Berlim dos passageiros e quem entra nas lotações tem que usar a porta de trás. A medida, segundo as autoridades, visa proteger os funcionários de transporte público de infecção pelo coronavírus.

 

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