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Linha Direta

Espanha intervém em hospitais privados para evitar colapso do sistema público de saúde por Covid-19

Áudio 07:23
As ruas de Madri vazias neste domingo, 15 de março de 2020.
As ruas de Madri vazias neste domingo, 15 de março de 2020. REUTERS/Sergio Perez
Por: Fina Iñiguez
14 min

O primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez decretou neste final de semana o estado de alerta para deter a propagação do coronavírus no país que aumentou rapidamente nos últimos dias. A Espanha não descarta fechar suas fronteiras. De acordo com os últimos dados, o país registra pelo menos 7.753 casos de COVID-19, 288 mortes e 517 recuperações. Madri é a região que concentra o maior número de contágios e falecimentos: quase a metade do total da Espanha. A Catalunha é a segunda região com mais casos: 715 confirmados e 8 mortes, seguida do País Basco com 630 casos e 23 mortes; e da Andaluzia, com 467 casos e 6 mortos. A partir desta segunda-feira (16), os dados só serão atualizados uma vez por dia. As autoridades acreditam que o número de casos continue aumentando pelo menos durante as duas próximas semanas.

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Correspondente da RFI na Espanha

O que há alguns dias era uma indicação, virou obrigação para os 47 milhões de espanhóis. Está proibida a circulação de pessoas em toda a Espanha, exceto para ir ao trabalho, comprar alimentos ou remédios, ir a hospitais, aos bancos ou cuidar de idosos e menores. A recomendação é que, quem pode fazê-lo, trabalhe à distância de suas casas.

Não será possível visitar um amigo ou tomar um café, por exemplo, e as pessoas não poderão sair acompanhadas. Só é permitido o passeio com cachorros de forma rápida. Supermercados ou lojas de alimentos, padarias, lavanderias, óticas e postos de gasolina são os únicos estabelecimentos que podem funcionar, mas obedecendo aos protocolos da distância higiênica.

Inicialmente, os cabeleireiros poderiam abrir para atender pessoas com necessidades especiais, mas finalmente o governo corrigiu o decreto e estabeleceu que só é permitido o serviço a domicílio.

Essas medidas entraram em vigor no sábado (14) e vão ter uma duração, em princípio, de 15 dias, embora possam ser prorrogadas por mais duas semanas, com a aprovação do Congresso.

Comportamento dos espanhóis

Os espanhóis estão obedecendo o confinamento decretado pelo governo e praticamente todas as ruas do país estão vazias. Algumas exceções foram protagonizadas por madrilenhos que fugiram da cidade para se instalar em suas casas de praia ou por turistas, vindos principalmente do Reino Unido. Eles resistiam a aceitar o fim das férias e tiveram que ser expulsos das ruas.

Barcelona, cerca de 300 bares e discotecas desafiaram as restrições e foram obrigados a fechar. A redução dos voos internacionais de saída e entrada no país provocou também uma avalanche de turistas nos aeroportos tentando voltar para suas casas.

Mas a crise do coronavírus também deixa mostras de solidariedade: alguns hotéis oferecem suas instalações para receber os contagiados menos graves, médicos fazem consultas grátis, voluntários ajudam idosos ou cuidam de menores que não têm com quem ficar em casa porque os pais trabalham. Além disso, cidadãos confinados em toda a Espanha saem às varandas de suas casas para aplaudir os profissionais da saúde em agradecimento pelo trabalho imprescindível que estão fazendo durante a crise do coronavírus.

A cultura por sua vez também acolhe as restrições e oferece uma série de atividades online como teatro, cinema e concertos através das redes sociais.

Controle do estado de alerta

As forças de segurança do Estado, civis e militares, estão nas ruas para garantir o cumprimento das restrições e quem desobedecer poderá ser punido com até quatro anos de prisão e multas de € 600 a 30 mil (cerca de R$ 3 mil a 150 mil), dependendo da gravidade da infração.

O premiê espanhol centralizou o comando da crise nomeando quatro ministros para tomarem as decisões nos setores de Defesa, Interior, Transportes e Saúde em coordenação com os conselheiros regionais.

Todos os presidentes das regiões da Espanha assinaram o acordo de gestão da crise do coronavírus, menos o catalão, Quim Torra, que já havia pedido ao governo espanhol o fechamento das fronteiras da Catalunha alegando que as medidas do governo espanhol eram insuficientes para combater o Covid-19.

Embora Pedro Sánchez não descarte o fechamento das fronteiras em todo o país, ele adiou a decisão para se reunir com os outros países europeus e definir as medidas necessárias de forma coordenada.

Situação nos hospitais

Os hospitais públicos começam a ter problemas com os materiais sanitários e equipamentos necessários para atender os casos graves. Em previsão de um colapso do Sistema Público de Saúde, o governo espanhol interveio na saúde privada das comunidades autônomas para que os conselheiros de cada uma das regiões possam dispor das infraestruturas sanitárias privadas para enfrentar a epidemia.

Os hospitais militares também estarão às ordens do Ministério da Saúde e médicos militares da reserva, assim como leitos de hospitais de campo, serão disponibilizados para a crise. Por outro lado, o governo anunciou a contratação maciça de médicos residentes para melhorar o atendimento.

Já foram feitos mais de 30 mil testes no país. O ministro da saúde informou que todas as pessoas que precisarem poderão fazer o teste, mas reconheceu também que dada a evolução dos contágios, vai ser necessário aumentar o atendimento usando procedimentos mais ágeis.

Transportes

O transporte público rodoviário, ferroviário e aéreo de longas e médias distâncias vai ser reduzido em 50%. A companhia ferroviária Renfe reduziu sua capacidade em um terço para manter o espaço necessário entre os usuários e evitar ao máximo o risco de contágio entre passageiros, operadores e outros trabalhadores.

Rei Felipe VI renuncia à herança

Enquanto a Espanha está paralisada, o rei Felipe VI anunciou que renuncia à herança relacionada com os negócios do pai, bem como a qualquer investimento ou estrutura financeira cuja origem, características ou finalidade não estejam de acordo com a legalidade. O monarca disse também que seu pai, Juan Carlos, vai deixar de receber a verba estabelecida pelo seu cargo de ex-chefe do Estado no Orçamento da Casa Real.

Esse anúncio bombástico, em meio a uma crise sanitária extraordinária, é consequência de uma informação publicada no jornal inglês Telegraf que vincula o pai do rei com uma fundação, que teria recebido € 100 milhões da Arábia Saudita como comissão pela construção do trem de alta velocidade por empresas espanholas.

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