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Linha Direta

Barcelona cria centros "Arcas de Noé" para isolar pacientes do coronavírus que deixam hospitais

Áudio 05:11
A Espanha enfrenta um problema crônico de falta de leitos e o sistema hospitalar está completamente saturado.
A Espanha enfrenta um problema crônico de falta de leitos e o sistema hospitalar está completamente saturado. REUTERS/Sergio Perez
Por: Fina Iñiguez

O governo espanhol está distribuindo um milhão de testes entre as comunidades mais afetadas pelo coronavírus e está preparando centros chamados “Arcas de Noé” para as quarentenas dos positivos leves ou assintomáticos A preparação dessas infraestruturas é uma das medidas da próxima fase da crise sanitária que, na Espanha, já conta com mais de 140 mil infectados pela Covid-19 e cerca de 14 mil mortos.

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

Seguindo o exemplo da China nos seus piores momentos da epidemia, o governo espanhol prevê acolher pacientes com sintomas leves de coronavírus em infraestruturas públicas e particulares – como ginásios, hotéis ou residências de estudantes – para usá-las como centros de isolamento dos casos positivos que não precisem de hospitalização. 

Essas instalações devem acolher também os casos de positivos assintomáticos, se os médicos considerarem necessário, dependendo se a pessoa morar sozinha ou tiver uma profissão de risco, como os trabalhadores da saúde, em transportes, supermercados, farmácias ou policiais.

O anúncio dessa medida causou polêmica porque muitos espanhóis questionam a obrigatoriedade dos assintomáticos cumprirem uma quarentena nesses centros. Mas a lei espanhola prevê a obrigatoriedade de confinamento em casos de doenças graves. Inclusive, a desobediência pode até ser punida com cadeia.

Situação na Espanha

A Espanha é o segundo país com mais casos da Covid-19, depois dos Estados Unidos. O primeiro contágio no país foi confirmado no dia 31 de janeiro, mas foi só em março que houve uma multiplicação exponencial de doentes. Madri é a comunidade mais afetada, com mais de 40 mil casos e 5 mil mortes confirmadas pela nova pneumonia viral, seguida da Catalunha, com cerca de 30 mil positivos e quase 3 mil mortos.

Embora o número de casos confirmados continue aumentando diariamente, a porcentagem do crescimento vem diminuindo: em duas semanas o contágio diário passou de 30% a menos de 5%. 

No entanto, nesta quarta-feira (8), o país voltou a registrar 757 mortes nas últimas 24 horas, um segundo dia consecutivo de aumento.

A boa notícia é que o número de recuperações é de 43.208, com 2.771 novos registros em só um dia, que representam quase 31% do número total de casos.

Para poder conhecer o número real de infectados e o grau de imunidade da população, além do milhão de testes que já estão sendo distribuídos na Espanha, a partir da semana que vem, o governo vai fazer um estudo com 60 mil pessoas para avaliar a expansão da Covid-19. Serão feitos testes rápidos, realizados durante três semanas, para obter uma amostragem que permita medir o grau de propagação do novo coronavírus. 

Quando o resultado for negativo, será feito um segundo teste chamado PCR (“Polymerase Chain Reaction”, na sigla em inglês), cuja confiabilidade é maior. Os resultados poderão ajudar o governo a adotar medidas na fase de transição do confinamento à normalidade. 

Por enquanto, todos os espanhóis, salvo os trabalhadores de atividades essenciais, devem permanecer em casa até o dia 26 de abril. Mas é possível que o confinamento se prolongue pelo menos até a metade de maio. 

Incidência do coronavírus por idade e sexo

De acordo com informação do Ministério da Saúde, 95% dos falecidos na Espanha têm mais de 60 anos. Destes, 60% têm mais de 80 anos e a doença é mais letal em homens do que nas mulheres. 

Em pessoas com menos de 20 anos, quase não há mortes. Quanto às pessoas infectadas, em termos globais, a maioria tem mais de 40 anos. Destas, a faixa etária mais afetada está entre os 70 e os 79 anos. E quase não existem infecções entre menores de idade.

Repercussões econômicas

O turismo, a hotelaria e a gastronomia são setores fundamentais na economia espanhola e representam 12,8% do PIB. Em 2019, mais de 83 milhões de turistas visitaram o país, o dobro de sua população. 

Calcula-se que com a paralisação dessas e outras atividades no país, o número de desempregados vá chegar aos 6 milhões, ou seja, 4,3 milhões a mais que antes da crise.

De acordo com algumas análises, o coronavírus na Espanha destruiu em um mês o equivalente à mesma quantidade de empregos criados nos últimos seis anos.

O impacto em Barcelona 

Barcelona está completamente vazia. A polícia local, os chamados “Mossos d’Esquadra”, divulgou um vídeo gravado por um drone que mostra imagens aéreas de uma cidade deserta, só com alguns ônibus praticamente sem passageiros, poucos carros e quase ninguém nas ruas. 

O governo da Catalunha implementou medidas para este período de inatividade econômica, tais como transporte público gratuito durante o alerta sanitário, redução de 50% do imposto sobre a água, ajuda de até 2.000 euros para os trabalhadores autônomos, entre outros.

Além disso, o governo espanhol vai destinar 100 milhões de euros para ajudar as pequenas e médias empresas (PME) e decretou uma moratória no pagamento de hipotecas e aluguéis para as famílias mais afetadas.

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