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Linha Direta

Celebração da Páscoa no Vaticano será limitada ao essencial devido ao coronavírus

Áudio 05:21
Este ano, a Páscoa celebra-se sem procissões.
Este ano, a Páscoa celebra-se sem procissões. via REUTERS - VATICAN MEDIA
Por: Gina Marques
10 min

A pandemia da Covid-19 mudou as celebrações da Páscoa nesta Quinta-feira e Sexta-feira Santas,além das missas da vigília e de domingo. As cerimônias comandadas pelo Papa Francisco na Santa Sé e nas igrejas não terão público e serão transmitidas pela internet, televisão e rádio. 

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Gina Marques, correspondente da RFI em Roma

Pela primeira vez na história milenar da Igreja católica, a Páscoa, uma das maiores celebrações do cristianismo será limitada ao essencial. Tudo foi organizado para acompanhar os fiéis em tempos de pandemia.

Os rituais serão sóbrios, conforme planejou o Departamento de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. O papa Francisco presidirá as cerimônias sem a presença física de fiéis numa Basílica de São Pedro quase vazia.

Nas igrejas do mundo inteiro as comemorações serão sem público. Em isolamento forçado, as pessoas poderão seguir os rituais graças à transmissão via rádio, TV ou  internet.

No Vaticano, as solenidades estarão acompanhadas pelo ícone de Nossa Senhora Salus populi Romani, protetora do povo romano, e o crucifixo de São Marcelo que em 1522 foi venerado para que acabasse com a “Grande Peste”.

“A impossibilidade de poder estar fisicamente presente às missas da Páscoa este ano é um ato de generosidade. É nosso dever respeitar aqueles que estão na linha de frente em caso de emergência e, com grande risco de segurança, tratam os doentes e não perdem tudo o que é essencial. É um pedido que nos envolve moralmente, quanto estamos vivendo em meio a tanto sofrimento” disse o presidente da Confederação Episcopal italiana Gualtiero Bassetti.

As mudanças

Alguns rituais foram modificados por causa da pandemia. O Papa não presidirá a missa do Crisma nesta Quinta-feira Santa com os sacerdotes da Diocese de Roma: a celebração será realizada após o fim da crise.

Já a missa na Ceia do Senhor, que recorda a instituição da Eucaristia, será celebrada às 18h (em Roma), 13h (em Brasília), no Altar da Cátedra de São Pedro. Não haverá o rito tradicional do Lava-pés, que papa Francisco costumava celebrar em presídios lavando os pés de doze detentos. Além disso, a cerimônia não se concluirá com a reposição do Santíssimo no final da celebração.

A Via-Sacra não será no Coliseu

A Sexta-feira Santa tradicionalmente é marcada por duas principais celebrações. A primeira é a Liturgia da Paixão e da Adoração da Cruz, às 18h (hora local), (13h no horário de Brasília), na Basílica de São Pedro. Este ano o crucifixo de São Marcelo será coberto.

O pregador da Casa Pontifícia, frei Raniero Cantalamessa, fará uma meditação e em seguida o crucifixo será descoberto. Haverá veneração, mas não o beijo na cruz.

Mais tarde, às 21h (em Roma), (16h de Brasília), não haverá a Via-Sacra no Coliseu. A cerimônia será na Praça São Pedro, com as 14 estações que simbolizam o trajeto percorrido por Jesus carregando a cruz desde Pretório até ao Calvário onde faleceu. O percurso vai ser ao longo das colunas que circundam a praça e ao redor do obelisco central. Dois grupos levarão a cruz, respeitando a distância de segurança.

Trata-se de um momento importante na Igreja Católica dedicado também às meditações. Este ano o papa Francisco quis chamar a atenção para o sofrimento dos prisioneiros e a dedicação das pessoas que trabalham com a saúde salvando vidas em hospitais. Haverá dois detentos do cárcere “Due Palazzi” de Pádua, as meditações foram escritas por eles, e alguns médicos e enfermeiros do FAS (Fundo de Assistência Médica Vaticana).

Alterações também nas cerimônias de sábado e domingo

Durante a Vigília do Sábado de Aleluia, às 21h (16h de Brasília), não serão celebrados batismos. A cerimônia inicial com a Bênção do Fogo será realizada atrás do altar da Confissão. Não haverá luzes para os presentes, como tradicionalmente ocorria, e o canto das três invocações “Lumen Christi” acontecerá só quando as luzes forem acesas na Basílica durante a procissão ao altar. Os sinos da Basílica de São Pedro tocarão no momento da Glória, anunciando a ressurreição.

A Missa do Domingo de Páscoa também será sóbria. A cerimônia presidida pelo papa começará as 11 h locais (6h de Brasília) no Altar da Cátedra. O Evangelho será proclamado em grego e latim. No final da missa, Francisco irá à sacristia para tirar as vestimentas, depois retornará à Basílica diante do altar da Confissão para pronunciar a mensagem Urbi et Orbi, que em latim significa “à cidade de Roma e ao mundo, a todo o universo" e dar a bênção.

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