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Novo coronavírus perde força e está menos letal, afirma médico italiano

Alberto Zangrillo, chefe do Hospital San Raffaele de Milão, na região norte da Lombardia. Foto de arquivo/ 2016
Alberto Zangrillo, chefe do Hospital San Raffaele de Milão, na região norte da Lombardia. Foto de arquivo/ 2016 AP - Luca Bruno
Texto por: RFI
3 min

A pandemia do coronavírus já matou 371.166 pessoas em todo o mundo, segundo balanço desta terça-feira (2). Segundo o médico italiano Alberto Zangrillo, o vírus está perdendo sua potência e se tornou muito menos letal. É verdade que a propagação da Covid-19 recua na Europa, mas se expande no continente americano, principalmente na América Latina, e as opiniões dos especialistas sobre o futuro do coronavírus divergem.

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Em entrevista à televisão italiana RAI, no domingo (31), o chefe do Hospital San Raffaele de Milão, na região norte da Lombardia, que foi o epicentro da epidemia no país, afirmou que "na realidade, o vírus clinicamente não existe mais na Itália". “Os testes com amostras que realizamos nos últimos dez dias mostram que a carga viral em termos quantitativos é absolutamente ínfima comparada à que tínhamos um ou dois meses atrás”, declarou Alberto Zangrillo.

A Itália tem o terceiro maior número de mortos no mundo pela Covid-19, com 33.475 óbitos desde o aparecimento do surto no país, em 21 de fevereiro. Em termos de infectados, ocupa a sexta posição global, com 233.197 casos. No entanto, o número de novos contaminados e vítimas fatais diminui constantemente desde o início de maio, possibilitando a flexibilização das rígidas medidas de isolamento social que havia sido impostas para lutar contra a pandemia.

Políticos devem levar em conta nova realidade

Zangrillo considera alguns especialistas alarmistas sobre a perspectiva de uma segunda onda de infecções e diz que os políticos precisam levar em conta a nova realidade. "Temos que voltar a ser um país normal", pediu ele. "Alguém tem que ser responsabilizado por aterrorizar o país."

Outro médico italiano, Matteo Bassetti, chefe de doenças infecciosas no Hospital San Martino, de Gênova, também acredita que o novo coronavírus enfraqueceu. “A força que o vírus tinha dois meses atrás não é a mesma que tem hoje”, afirmou Bassetti em entrevista à agência de notícias Ansa. "Está claro que hoje a Covid-19 é diferente".

A posição dos dois especialistas italianos respalda a opinião do polêmico médico francês Didier Raoult. O infectologista de Marselha, defensor determinado do uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19, prognosticou em meados de maio que "a epidemia está acabando". "Em lugar nenhum há uma segunda onda de contaminação. Vemos que este episódio está chegando ao fim", afirmou Raoult, sem temer se contradizer como em fevereiro, quando previu que o novo coronavírus não era muito "letal".

Governo pede cautela

O governo italiano pediu cautela, dizendo que era muito cedo para reivindicar a vitória contra o vírus. "Há evidências científicas pendentes para apoiar a tese de que o vírus desapareceu. Eu convidaria os que dizem que têm certeza disso a não confundir os italianos", ponderou Sandra Zampa, subsecretária do Ministério da Saúde, em um comunicado. "Em vez disso, devemos convidar os italianos a manter a máxima prudência, manter o distanciamento social, evitar agrupamentos, lavar frequentemente as mãos e usar máscaras", aconselhou.

A Organização Mundial da Saúde também pede prudência. A perspectiva não é das melhores, mas a OMS acha que a humanidade terá que aprender a viver com o novo coronavírus. "Ele pode se transformar em um vírus endêmico e nunca desaparecer", mesmo que uma vacina seja descoberta, alertou em 13 de maio Michael Ryan, diretor do departamento de Emergência Sanitária da agência da ONU.

(Com informações da Reuters)

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