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Jogador de futebol aluga prédio para hospedar migrantes discriminados em zona rural na Espanha

Fazendeiros espanhóis acostumados a contratar trabalhadores do leste europeu ou do norte da África, acabaram recrutando migrantes, regularizados ou ilegais, para trabalhar na colheita (imagem de ilustração)
Fazendeiros espanhóis acostumados a contratar trabalhadores do leste europeu ou do norte da África, acabaram recrutando migrantes, regularizados ou ilegais, para trabalhar na colheita (imagem de ilustração) CRISTINA QUICLER / AFP

O tratamento dado a um grupo de migrantes tem provocado polêmica na Espanha. Contratados para trabalhar temporariamente em uma região agrícola perto de Barcelona, eles foram obrigados a dormir na rua antes de serem alojados em condições precárias dentro de um ginásio. Diante da situação, o jogador de futebol Keita Balde, do AS Mônaco, decidiu ajudá-los.

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Elise Gazengel, correspondente da RFI em Barcelona

A história é apenas mais uma provocada pela pandemia de coronavírus. Diante do fechamento das fronteiras europeias como medida de precaução, os fazendeiros espanhóis, acostumados a contratar trabalhadores temporários vindos da leste europeu ou do norte da África, tiveram que encontrar uma solução dentro do país para evitar que seus produtos estragassem por falta de mão de obra para a colheita.

No início de maio, anúncios foram feitos para recrutar trabalhadores temporários dentro do país. No entanto, poucos espanhóis se candidataram, principalmente por causa das duras condições de trabalho e da remuneração de € 7 por hora, um valor considerado baixo na Europa. Resultado: vários imigrantes vivendo na Espanha, regularizados e clandestinos, se apresentaram e foram contratados.

Mas a integração não foi tão fácil. Na cidade de Lleida, a 150 km de Barcelona, centenas de migrantes tiveram dificuldades para encontrar moradia, confrontados a proprietários que não queriam alugar seus bens para os forasteiros. Como os hotéis e albergues da região estão fechados por causa da pandemia, muitos deles foram obrigados a dormir nas ruas da cidade.

A discriminação foi denunciada nas redes sociais e um vídeo mostrando a situação dos trabalhadores viralizou. A divulgação contou com a ajuda de associações que apoiam os migrantes, como a Plataforma Fruita amb justicia social (Plataforma de frutas com justiça social, em catalão).

O prefeito de Lleida teve de intervir e anunciou que um ginásio da cidade seria usado para hospedar parte dos migrantes. O centro de acolhimento improvisado foi aberto nesta segunda-feira (1°), mas logo os trabalhadores denunciaram as condições dos alojamentos oferecidos. Após jornadas de mais de 12 horas de trabalho no campo, eles tinham que dormir em camas de acampamento praticamente coladas umas às outras. Além disso, os migrantes têm de enfrentar a hostilidade dos vizinhos, que protestam contra sua presença na região, alegando medo de contágio pelo coronavírus.

Jogador de fubebol se sensibiliza

A história sensibilizou o jogador de futebol Keita Balde. Nascido na região e filho de senegaleses, o craque do AS Mônaco propôs pagar pela moradia dos cerca de 200 trabalhadores temporários, além de custear a alimentação do grupo até o final da colheita, em setembro. No entanto, nenhum hotel de Lleide aceitou recebê-los, mesmo se todos os estabelecimentos estivessem vazios por causa da pandemia. As associações locais denunciam um ato de racismo explícito dos donos dos hotéis.

Diante da situação, Keita Balde anunciou nas redes sociais que tinha alugado um prédio inteiro para hospedar os cerca de 100 migrantes e que estava procurando um segundo imóvel para acolher o resto do grupo. “Nós vivemos em uma sociedade complexa, mas ninguém merece essa indiferença”, declarou o jogador. “A cor da pele não deveria mais ser um problema”, concluiu.

 

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