Plano de redução de militares americanos na Alemanha causa preocupação em Berlim

Base aérea americana de Rammstein abriga o maior hospital americano fora dos Estados Unidos e serve de partida para o transporte de homens e equipamentos para o Iraque ou o Afeganistão.
Base aérea americana de Rammstein abriga o maior hospital americano fora dos Estados Unidos e serve de partida para o transporte de homens e equipamentos para o Iraque ou o Afeganistão. US Army

A notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quer reduzir a presença militar na Alemanha causa preocupação e alguma indignação em Berlim. O país abriga o maior efetivo militar americano na Europa, desde a Segunda Guerra Mundial.

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O plano foi revelado na sexta-feira (5) pelo jornal americano Wall Street Journal, citando fontes no Pentágono. Desde então, o governo alemão não se pronunciou sobre o assunto. Neste domingo (7), o ministro das Relações Exteriores Heiko Maas quebrou o silêncio e ressaltou, em uma entrevista ao diário alemão Bild am Sonntag , que a presença de soldados americanos é “do interesse dos dois países”. “Está complicado”, comentou Maas.

Segundo a imprensa – que não foi desmentida pela Casa Branca –, Washington deseja diminuir de 34,5 mil para 25 mil o número de militares americanos instalados, junto com suas famílias, em 21 bases na Alemanha. Atualmente, esse número pode chegar a 52 mil pessoas, como em momentos de troca de equipes ou para a realização de manobras militares.

A possível redução, unilateral e sem negociação junto aos parceiros da Otan, irritou tanto o governo quanto a oposição alemães, relata o correspondente da RFI em Berlim, Pascal Thibaut. Parlamentares alemães especializados em defesa argumentaram que, se a decisão for confirmada, seria nociva para os próprios americanos, que utilizam a presença em solo alemão para coordenar diversas operações internacionais.

Importância nas operações mundiais

A base aérea de Rammstein, por exemplo, abriga o maior hospital americano fora dos Estados Unidos e serve de partida para o transporte de homens e equipamentos para o Iraque ou o Afeganistão.

A razão para uma tal medida não foi esclarecida, mas se especula que poderia ser uma retaliação do presidente Trump à construção do gasoduto Nordstream 2, entre a Alemanha e a Rússia, além de um efeito da degradação da relação entre o líder americano e a alemã Angela Merkel. A chanceler anunciou que não deve participar da cúpula do G7, presidida pelos Estados Unidos neste ano.

O desengajamento de Trump na Otan também não é mistério para ninguém – o presidente americano avalia que os parceiros europeus dedicam poucos recursos à organização, majoritariamente financiada por Washington. A diminuição dos quadros militares na Alemanha era um dos projetos do ex-embaixador dos Estados Unidos em Berlim Richard Grenell, um aliado de Trump que acaba de pedir demissão do cargo.

Impacto nas relações internacionais

“A relação entre a Alemanha e os Estados Unidos poderia ser gravemente afetada por uma tal decisão do presidente americano”, avaliou o coordenador do governo alemão para as relações transatlânticas, Peter Beyer, citado pela agência DPA.

Para o ex-comandante das forças americanas na Europa, general Ben Hodges, que se aposentou do posto em 2017, a medida seria “um erro colossal” e “um presente para Vladimir Putin”. “Os soldados americanos não estão na Europa para proteger os alemães”, ironizou, pelo Twitter. “Eles estão em uma base avançada, enquanto integrante da Otan, para proteger todos os membros [da organização], inclusive os Estados Unidos”, ressaltou.

General Ben Hodges, ex-comandante-geral das forças dos Estados Unidos na Europa, durante um exercício militar da Otan na Bulgária.
General Ben Hodges, ex-comandante-geral das forças dos Estados Unidos na Europa, durante um exercício militar da Otan na Bulgária. OLIVIER FOURT/RFI

 

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