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Linha Direta

Polônia: presidente ultraconservador lidera 1° turno, mas disputa com rival liberal será acirrada

Áudio 04:18
O presidente polonês, o conservador Andrzej Duda, que disputa a reeleição, enfrentará seu adversário, o liberal Rafal Trzaskowski
O presidente polonês, o conservador Andrzej Duda, que disputa a reeleição, enfrentará seu adversário, o liberal Rafal Trzaskowski REUTERS/Kacper Pempel
Por: Márcio Damasceno
8 min

Apoiado pelo governo nacionalista do partido Lei e Justiça, o atual chefe de Estado da Polônia, Andrzej Duda, venceu a votação realizada no domingo (28), mas não conseguiu votos suficientes para se reeleger no primeiro turno, segundo as projeções. A segunda rodada, dentro de duas semanas, promete ser disputada.

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Márcio Damasceno, correspondente da RFI

As chances de uma vitória do candidato da oposição são muito melhores do que presidente polonês gostaria. As pesquisas preveem uma batalha acirrada em 12 de julho, com ligeira vantagem para o rival de Duda, o prefeito de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, que vem em ascensão constante nas pesquisas desde que lançou tardiamente sua candidatura, no mês passado.

Cerca de 99,78% dos votos já tinham sido contabilizados na manhã desta segunda-feira (29). O presidente polonês obteve 43,7% dos votos. Já Trzaskowski conseguiu 30,3% dos votos. 

Um indício de que o clima político pode estar mesmo mudando para o governo ultraconservador polonês é que a participação nas urnas foi bastante alta, com o comparecimento de 64,4% dos eleitores, a maior dos últimos 25 anos. Nas últimas presidenciais, em 2015, a cifra ficou em 49%.

Embora o liberal Trzaskowski, do partido Plataforma Cívica, tenha chegado em segundo no primeiro turno, ele deve atrair uma boa parcela dos eleitores dos outros nove candidatos na segunda rodada. 

Divisão profunda da Polônia

Os dois rivais, Duda e Trzaskowski, representam a divisão profunda que existe no país. De um lado, está o presidente polonês, com seu discurso pela família tradicional e contra homossexuais, que conta com a maioria dos votos do interior e do leste, de eleitorado conservador e profundamente católico. Do outro, está o liberal prefeito de Varsóvia, conhecido por apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que tem alta popularidade no oeste e nos centros urbanos do país.

As eleições eram previstas originalmente para ocorrer em 10 de maio, mas tiveram que ser adiadas por causa da crise sanitária causada pelo coronavírus. Antes da pandemia, o presidente Duda tinha ampla vantagem nas pesquisas, com chances de se eleger no primeiro turno. Por isso, o governo tentou a todo custo manter a data, apesar das restrições, mas não conseguiu. 

A pandemia derrubou os indicadores econômicos, que eram um dos principais trunfos do governo polonês. E o clima foi mudando. Além disso, nesse meio tempo, foi lançada a candidatura do prefeito de Varsóvia, o liberal conservador Trzaskowski, que é um político carismático e fez uma campanha eleitoral dinâmica. Isso tudo foi fazendo com que Duda fosse perdendo popularidade.

Virada de mesa

Uma vitória da oposição pode enfraquecer bastante o governo ultraconservador polonês e até reverter parte das controversas reformas que o PiS vinha promovendo para controlar a mídia e o sistema judiciário do país. As decisões foram classificadas pela União Europeia como ameaça à democracia e ao Estado de direito e vinham colocando Varsóvia em rumo de coalizão com Bruxelas.

Trzaskowski deixou claro que pretende interromper essas reformas. Se for eleito, a promessa pode, de fato, ser cumprida. Afinal, na Polônia, o presidente, além de ter função representativa, tem o poder de vetar leis e até mesmo sugerir mudanças legislativas. 

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