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Linha Direta

Itália: após 10 dias de espera, navio de ONG vai poder atracar com 180 pessoas salvas no mar

Áudio 05:22
Itália: navio humanitário Ocean Viking, com 180 migrantes a bordo, vai finalmente poder atracar no país.
Itália: navio humanitário Ocean Viking, com 180 migrantes a bordo, vai finalmente poder atracar no país. AP - Flavio Gasperini

Depois de dez dias a bordo do navio Ocean Viking sem poderem chegar a terra, 180 migrantes resgatados pela ONG francesa SOS Méditerranée chegaram ao porto Empedocle, na Sicília, nesta segunda-feira (6). Eles já fizeram o teste da Covid-19 e os resultados deverão ser divulgados ainda hoje.

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Os 180 migrantes a bordo do Ocean Viking serão transferidos para o Moby Zara, outro navio destinado a quarentena e que ainda hospeda outros 211 imigrantes desembarcados anteriormente pela ONG alemã Sea Watch que terminaram o período de quarentena. Nesse grupo socorrido pela Sea Watch havia cerca de 30 imigrantes que resultaram positivos à Covid- 19. Eles permanecem em isolamento.

Os imigrantes socorridos pela SOS Mediterranée são originários de diversos países. No navio estão 60 pessoas de Bangladesh, 3 da República dos Camarões, 17 do Egito, 11 da Eritreia, 6 do Gana, 1 da Costa do Marfim, 1 do Mali, 11 do Marrocos, 46 do Paquistão, 16 da Tunísia, 1 da Nigéria, 4 do Sudão do Sul e 3 do norte do Sudão. Nesse grupo há 25 menores de idade a bordo - 17 deles não acompanhados - e uma mulher grávida de cinco meses.

Os imigrantes estão exaustos pela travessia do mar Mediterrâneo e por permanecerem a bordo quase dez dias aguardando a autorização do governo maltês ou do italiano de um porto seguro para atracar. Segundo as normas internacionais sobre os direitos humanos e o socorro no mar, as pessoas resgatadas devem ser levadas aos portos seguros mais próximos, nesse caso Malta ou Itália.

Houve tentativas de suicídios de seis imigrantes e alguns episódios de agressão à tripulação, que levaram a ONG a exigir a retirada imediata de 44 pessoas alegando surtos de distúrbios psicológicos agudos. O governo italiano enviou um médico a bordo, que excluiu a possibilidade de haver casos de distúrbios mentais, mas reconheceu que os migrantes estavam "cansados, estressados e nervosos".

Resgates em etapas

Os 180 migrantes foram salvos pela Ocean Viking em três operações. A primeira foi em 25 de junho, quando a tripulação do navio avistou um barco de madeira em dificuldade na costa de Lampedusa e 51 pessoas foram socorridas. Uma hora depois, o navio interceptou outro barco, a 40 milhas ao sul das ilhas Pelágias, entre a Tunísia e a Sicília, salvando 67 outras pessoas. Quatro dias depois, em 30 de junho, foram recuperados outros 63 migrantes que estavam em dois barcos à deriva na zona Sar de Malta.

A pandemia do coronavírus não desencorajou a travessia de imigrantes para chegar à Itália. Segundo os dados fornecidos pelo Ministério do Interior, os fluxos migratórios não diminuíram com o coronavírus. Desde o início do ano ocorreram 175 desembarques que trouxeram 5.456 pessoas à Itália, sendo que apenas 27 foram com navios humanitários. Portanto, 148 eram autônomos, ou seja, pequenos barcos e botes de borracha chegaram sozinhos em Lampedusa, nas costas da Sicília, Sardenha ou Calábria.

Mudanças na política de acolhimento italiana

Agora que a extrema-direita não está mais no governo, a questão da imigração é enfrentada com mais flexibilidade. Matteo Salvini, líder da Liga, partido de extrema-direita, quando era ministro do Interior (junho de 218 até agosto de 2019) instaurou uma série de leis que dificultavam a chegada de imigrantes na Itália, em tentativas de impedir a chegada de navios das ONGs humanitárias.

Além disso, Salvini conseguiu abolir a proteção humanitária. O atual governo formado pelo Movimento 5 Estrelas e partidos de centro-esquerda, entre eles o Partido Democrático, compensa a abolição da proteção humanitária com licenças subsidiárias e especiais que aumentaram nos últimos meses. 

De 1 de janeiro a 12 de junho de 2020, as Comissões de Asilo analisaram 21.144 pedidos. Foram reconhecidos 2.268 status de refugiado (11%), a proteção subsidiária foi dada a 1.907 pessoas (9%) e 135 receberam proteção especial (1%). Os pedidos recusados foram 16.384 (79%).

 

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