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Cerimônia com público reduzido e videoconferência marcam os 25 anos do massacre de Srebrenica

Uma sobrevivente muçulmana do massacre de Srebrenica reza diante dos túmulos de seus dois filhos no cemitério de Potocari, na Bósnia. Em 10 de julho de 2020
Uma sobrevivente muçulmana do massacre de Srebrenica reza diante dos túmulos de seus dois filhos no cemitério de Potocari, na Bósnia. Em 10 de julho de 2020 AFP
Texto por: Maria Paula Carvalho
4 min

Os muçulmanos da Bósnia-Herzegóvina lembram neste sábado (11) o genocídio de Srebrenica, há 25 anos, a pior matança em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. O memorial reuniu famílias de vítimas e teve público reduzido por causa da epidemia de coronavírus.

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Parentes de nove jovens executados no massacre, cujos corpos só foram identificados recentemente, prestaram homenagens junto aos caixões, antes do enterro, no cemitério onde já repousam os corpos de 6.643 vítimas. Milhares ainda estão desaparecidos.

"Os maridos das minhas quatro irmãs foram assassinados. Meu irmão também foi morto, assim como seu filho. Minha sogra também perdeu outro filho e o marido", recorda Ifeta Hasanovic, 48 anos. O marido dela, Hasib, foi uma das nove vítimas cujos restos mortais foram identificados em julho do ano passado.

Vários chefes de Estado e de governo estrangeiros se expressaram por videoconferência durante a cerimônia, que foi realizada na presença de alguns milhares de pessoas. A cerimônia anual costuma reunir dezenas de milhares, mas a crise sanitária diminuiu o tamanho da celebração.

"Compartilhamos o sofrimento das famílias que pedem incansavelmente justiça pelas 8.000 vidas inocentes perdidas lá, há tantos anos", declarou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

O calvário

O longo calvário de Srebrenica é um símbolo da política sistemática de "limpeza étnica" realizada pelos sérvios da Bósnia, durante a guerra, entre 1992 e 1995.

Logo após o início do cerco a Sarajevo pelas forças sérvias, em 6 de abril de 1992, Srebrenica e as cidades de maioria muçulmana no vale oriental caíram nas mãos das tropas sérvias da Bósnia, auxiliadas por unidades paramilitares da Sérvia.

Entre março e abril de 1993, cerca de 8.000 pessoas foram evacuadas da região. Bombardeios de forças sérvias da Bósnia deixaram dezenas de mortos. Em 16 de abril, enquanto a cidade estava sob o fogo de tanques e artilharia, o Conselho de Segurança da ONU decretou Srebrenica como "zona segura", protegida pelas forças das Nações Unidas e pela OTAN. Um acordo de cessar-fogo e desmilitarização foi assinado no dia seguinte, em Sarajevo, mas não seria respeitado.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) conseguiu levar alimentos e outros materiais para a cidade, então uma área protegida. Em maio, a ONU criaria outras cinco "zonas seguras": Sarajevo, Tuzla, Zepa, Gorazde e Bihac.

Em 1º de março de 1994, uma unidade de aproximadamente 450 soldados da paz holandeses é enviada à região e se juntam às forças de paz canadenses.  

A ofensiva

No início de julho de 1995, as forças sérvias da Bósnia atacaram as posições da Bósnia ao sul, leste e norte, assumindo o controle das posições da Força de Proteção das Nações Unidas, no dia 9, depois de apreenderem cerca de 30 Soldados da paz holandeses. Os tanques sérvios estavam a menos de 2 km da cidade.

Em 11 de julho, dois F-16 da OTAN bombardearam dois tanques sérvios perto de Srebenica, o que não impediu, no final do dia, cerca de 1.500 soldados comandados pelo general Ratko Mladic de tomarem a área.

A maior parte das forças de paz holandesas recua para sua base em Potocari, ao norte, seguida por vários milhares de refugiados, na esperança de encontrar proteção.

O massacre

Ao tomar a cidade de Srebrenica, Ratko Mladic ordenou a evacuação de civis, mulheres, crianças e idosos, enquanto todos os homens em idade de lutar foram presos. Em alguns dias, mais de 8.000 homens e adolescentes foram sumariamente executados, antes de serem enterrados em valas comuns. Os restos mortais das vítimas foram encontrados em mais de 80 locais.

Em 17 de julho, chegavam testemunhos provenientes de refugiados que relataram assassinatos, tortura e estupros cometidos pelas forças sérvias.

Em 24 de julho e 16 de novembro, Radovan Karadzic, líder dos sérvios da Bósnia, e o comandante das forças sérvias da Bósnia, general Ratko Mladic, foram acusados pelo Tribunal Penal Internacional pela ex-Iugoslávia (TPIJ) por genocídio, crimes contra humanidade e crimes de guerra. Muito tempo depois do massacre, os dois foram condenados a prisão perpétua.

Divisão

Assinado sob pressão internacional, em 21 de novembro de 1995, o Acordo de Paz de Dayton (Estados Unidos) pôs fim à guerra, mas consagrou a divisão da Bósnia em duas partes: uma sérvia, a Republika Srpska (RS), e a outra croata-bósnia, cada uma delas com um alto grau de autonomia.

O aniversário do massacre de Srebrenica, uma das páginas mais sombrias da guerra na Bósnia (1992-1995), destaca a necessidade de instituições judiciais capazes de julgar atrocidades em massa. Isso “nunca foi tão importante quanto agora ", observa Nancy Combs, professora de Direito da Universidade William e Mary, na Virgínia.

Com informações da AFP

 

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