Covid-19: Universidades britânicas temem crise com queda de estudantes chineses

A Universidade de Cambridge, que é ao lado de Oxford, a mais antiga e uma das mais prestigiosas do Reino Unido.
A Universidade de Cambridge, que é ao lado de Oxford, a mais antiga e uma das mais prestigiosas do Reino Unido. REUTERS

As reputadas instituições universitárias do Reino Unido temem que a epidemia de coronavírus desencoraje os milhares de jovens chineses a ir estudar no país. A possibilidade é uma péssima notícia para as universidades britânicas que são financiadas em grande parte pelos estudantes estrangeiros, que pagam até € 35.000 por ano em mensalidades.

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Com informações de Muriel Delcroix, correspondente da RFI em Londres

Oxford, Cambridge e as outras prestigiosas universidades das grandes cidades britânicas são o sonho de estudantes do mundo inteiro. Os chineses são ultimamente os maiores interessados. Em cinco anos, o número de universitários da China inscritos no Reino Unido passou de 80.000 para 120.000. Eles representam um quarto dos 480.000 estrangeiros no ensino superior britânico.

Mas com a crise sanitária da Covid-19, muitos estudantes chineses começaram a cancelar suas inscrições para o início do ano letivo, que na Europa começa em setembro. O ritmo das desistências se acelera e preocupa as instituições.

A Universidade de Manchester fez um estudo para entender as reticências dos jovens. Segundo a pesquisas, as recentes tensões entre Londres e Pequim, provocadas pela interferência da China em Hong Kong, o alto custo das taxas escolares ou a possibilidade de as aulas serem ministradas majoritariamente on-line não explicam as desistências. O principal motivo do cancelamento das inscrições é a situação sanitária no Reino Unido e danos provocados pelo coronavírus no país.

Prejuízos de mais de £ 2 bilhões

As agências especializadas em recrutar jovens na China dizem que as famílias estão preocupadas com o alto número de vítimas da Covid-19 no país. O Reino Unido tem um dos piores balanços de óbitos do planeta, com cerca de 50.000 mortos. Os chineses não se sentem tranquilos ou seguros ao constatar que muitos britânicos não respeitam as medidas de distanciamento físico ou o uso de máscaras, por exemplo.

Essa percepção negativa é um problema real para as 137 universidades britânicas. Os estudantes estrangeiros representam 17% das verbas totais do setor. As instituições antecipam perdas de mais de £ 2 bilhões (R$ 13,4) para o ano letivo 2020-2021, que se somam aos £ 790 milhões registrados desde o início da pandemia. O governo tenta contornar o problema e já prometeu repassar £ 2 bilhões. Mas as universidades pedem £ 3 bilhões suplementares, frisando a importância de proteger um setor vital para o futuro do país no pós-Brexit.

 

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