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Linha Direta

Contágios pelo coronavírus aumentam na Espanha, ameaçando o já abalado setor do turismo

Áudio 04:43
Em Barcelone, as ruas estão quase vazias e vários lugares normalmente cheios de turistas em julho, estão fechados.
Em Barcelone, as ruas estão quase vazias e vários lugares normalmente cheios de turistas em julho, estão fechados. Nacho Doce/Reuters
Por: Fina Iñiguez

Há um mês do fim do estado de alerta na Espanha, os contágios pelo coronavírus aumentaram de forma preocupante no país. As regiões da Catalunha e de Aragão continuam sendo as mais afetadas e os presidentes dos governos locais aprovaram pacotes de medidas especiais para brecar a transmissão do coronavírus. Barcelona está abalada diante do efeito econômico de um verão sem turistas internacionais e com o turismo local limitado.

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Fina Iñiguez, correspondente da RFI em Barcelona

Apesar de terem diminuído nos últimos dois dias, os maiores focos de contágio estão na Catalunha e particularmente na capital, Barcelona, que dobrou o número de infecções.

No último final de semana o governo local informou sobre 1.230 novos casos de COVID-19 na cidade. No centro de Barcelona, os moradores estão preocupados porque nem todo mundo respeita as recomendações das autoridades sanitárias. Sobretudo os menores de 30 anos e assintomáticos, novo perfil dos contagiados.

Entre as medidas restritivas, as mais importantes, além da obrigatoriedade de usar máscara e respeitar o distanciamento social de dois metros, estão as de não sair de casa a não ser para o imprescindível, evitar reuniões com mais de 10 pessoas, limitar o acesso a bares, restaurantes e lojas. Foram proibidas também todas atividades noturnas em discotecas e salões de festas, os parques infantis, academias, centros de esportes, cinemas e teatros. Permanecem abertos museus e bibliotecas, mas também com acesso restrito.

Praias

As praias são os pontos que mais preocupam as autoridades. A prefeitura de Barcelona reduziu um 15% a capacidade da orla marítima da cidade e a recomendação é evitar os horários mais movimentados nos finais de semana.

No interior a situação também é inquietante. Em Terrasa e Sabadell, duas cidades próximas à Barcelona, entre as mais populosas da Catalunha, os contágios triplicaram nos últimos dias. Para conter a expansão do vírus foram disponibilizados pontos de álcool em gel nas calçadas e agentes cívicos informam moradores sobre as medidas que devem ser respeitadas, principalmente os mais jovens, que são os que mais se resistem a usar máscara e manter o distanciamento social recomendado.

No entanto, as previsões começam a ser otimistas: o número de pessoas que testaram positivo para a Covid-19 na Catalunha diminuiu. A região de Segrià, em Lérida, que foi o foco da infecção na semana passada, parece que está conseguindo conter ligeiramente o avanço dos contágios que passaram de 914 a 880. Embora ainda seja cedo para avaliar o impacto das restrições porque os dados fazem referencia ao final de semana, quando se faz menos testes diagnósticos.

Turismo ameaçado

Em 2019 Barcelona, que tem 1,7 milhão de habitantes, recebeu cerca de 12 milhões de turistas. Neste verão, com apenas 20% dos hotéis abertos e baixa ocupação e uma queda do faturamento de até a metade nas lojas e restaurantes e milhares de empregos em perigo (metade dos trabalhadores do setor turístico continua desempregado temporariamente), a cidade vai testar sua capacidade de recuperação.

O turismo local parece ser o único que poderá ajudar na sobrevivência de um setor seriamente ameaçado. Paloma Ortiz, educadora social residente em Barcelona, disse à RFI que no final de semana pode constatar em Castelldefels, cidade litorânea que está a 25 quilômetros ao sul de Barcelona, que o turismo nacional é o que está segurando os comércios locais, embora tenha diminuído muito em relação ao ano passado.

Os rumores de fechamento de fronteiras com o aumento de contágios também preocupa o já escasso turismo internacional. Fabian Abad, empresario espanhol residente em Genebra, de férias com a família em Barcelona, contou à RFI que procurou informação no consulado suíço em Barcelona sobre as restrições previstas em caso de novo fechamento de fronteiras. Segundo o consulado, durante a quarentena imposta de março a junho, não houve problema para os cidadãos europeus voltarem para suas casas.

De acordo com um estudo da Universidade de Barcelona, o setor turístico da Catalunha que contribui com um 12% do PIB da região e deverá perder cerca de 95 mil empregados devido ao coronavírus, um quarto dos empregos do setor, e terá uma queda na faturação em torno aos 15 bilhões de euros.

Uma pesquisa divulgada pelo AQR-Lab, o setor mais afetado pela Covid-19 (com queda de 65%) é o da organização de convenções e feiras, seguidas pelo transporte aéreo (55%), agências de viagens (52%), restaurantes e hotelaria, e oferta cultural e de lazer, ambas com quedas de 46%.

Precisamente o setor da cultura é o que mais tem criticado as medidas restritivas do governo catalão porque permite que restaurantes continuem funcionando, mesmo com redução de capacidade, e proíbe teatros, cinemas e festivais ao ar livre.

E parece que eles têm razão: estudos recentes mostram que ficar em ambientes fechados sem máscara, como em restaurantes, é muito mais arriscado do que estar ao ar livre com máscara, como em festivais.

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