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Novo estudo revela número recorde de jihadistas nas prisões europeias

O papel da prisão como incubadora de radicalização não é novo.
O papel da prisão como incubadora de radicalização não é novo. france 24
Texto por: RFI
3 min

Nunca as prisões europeias contaram tantos detentos ligados a casos de terrorismo, segundo um estudo do King's College de Londres entre dez países, que insiste na gestão das prisões como uma ferramenta prioritária na luta contra esse tipo de crime.

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De acordo com este estudo do Centro Internacional para o Estudo da Radicalização (ICSR na sigla em inglês), do King's College de Londres, para o qual contribuíram especialistas respeitados, "existem mais presos condenados por crimes relacionados ao terrorismo do que a qualquer momento, desde a virada do milênio ".

Essa população é heterogênea, com uma feminização significativa e um aumento no número de ativistas de extrema direita, especifica a análise publicada nesta semana, que amplia uma pesquisa semelhante realizada em 2010 pelo ICSR.

A França está na linha de frente de presos ligados ao terrorismo, com um terço dos detidos (549 de um total de 1.405), à frente de Espanha (329), Grã-Bretanha (238) e Bélgica (136). Os outros países têm populações menores (Suécia, Holanda, Noruega, Dinamarca) ou não possuem estatísticas adequadas do setor (Alemanha e Grécia).

Todos os dez países  europeus admitem a dificuldade de realmente saber o que está acontecendo na privacidade das prisões. "As ferramentas de avaliação de risco específicas do extremismo agora são usadas na maioria dos países estudados", aponta o relatório, no entanto, observando que alguns dispositivos são muito recentes para serem avaliados. E que a pesquisa é complicada diante das mentiras por parte dos jihadistas, que aprenderam a driblar as entrevistas.

O que fazer com os presos jihadistas

Os detidos devem ser reagrupados? Deve-se distribuí-los entre a população carcerária em geral? Isolá-los? Cada solução tem seus defensores, mas os sistemas mistos estão se multiplicando, dizem os pesquisadores, com especial atenção aos mais perigosos (agrupados ou separados dependendo do país), enquanto os prisioneiros menos importantes estão sendo dispersos.

Todos os países reconhecem, a esse respeito, "que a mistura leva tempo e nem sempre será um sucesso". O papel da prisão como incubadora de radicalização não é novo. Várias décadas atrás, os islâmicos egípcios, a extrema direita alemã e os próprios separatistas irlandeses entenderam o interesse em fortalecer seus respectivos movimentos extremistas na prisão.

"Muito antes da liderança do Grupo Estado Islâmico emergir de Camp Bucca,  no Iraque, as prisões eram o centro de gravidade de praticamente todos os grupos terroristas modernos", lembra o relatório.

O estudo  faz uma série de recomendações, tornando a prisão uma prioridade. "Conscientes de que gastar dinheiro na prisão é uma medida impopular", os autores apelam às chancelarias e à opinião pública para "entenderem que manter a ordem e a segurança na prisão é um investimento essencial na luta contra o crime e o terrorismo".

"Nenhum software ou ferramenta de avaliação poderosa pode compensar a falta de pessoal, espaço e recursos básicos suficientes", conclui.

(Com informações da AFP)

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