Incêndios florestais em Portugal já destruíram 6 mil hectares e provocaram € 7 milhões de prejuízos

Bombeiro tenta extinguir um incêndio em Vale da Cuba, perto da aldeia de Isna, na região portuguesa de Castelo Branco.
Bombeiro tenta extinguir um incêndio em Vale da Cuba, perto da aldeia de Isna, na região portuguesa de Castelo Branco. AFP - PATRICIA DE MELO MOREIRA

Desde sábado (25), o centro de Portugal é novamente palco de importantes incêndios florestais. O fogo atinge a mesma região onde, há três anos, mais de 100 pessoas morreram vítimas das chamas. As autoridades já calculam os prejuízos humanos e econômicos da catástrofe.

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O fogo teve início em Oleiros, na região de Castelo Branco, e só começou a ser controlado na manhã desta segunda-feira (27), mesmo se alguns focos permanecem ativos. Em entrevista coletiva, o comandante do Agrupamento Distrital do Centro Sul, Luís Belo Costa, disse que ainda há “muito trabalho pela frente”, já que o perímetro dos incêndios é grande e de difícil acesso. Além disso, as altas temperaturas, próximas dos 40 graus, não facilitam o trabalho dos bombeiros.

Cerca de 800 homens lutam atualmente contra o fogo, com a ajuda de 10 helicópteros e aviões. Belo Costa também solicitou a colaboração da população com um “comportamento cívico”, evitando usar fogo em qualquer tipo de atividade ou acionar máquinas que possam gerar chamas.

Bombeiro morreu

As autoridades afirmam que, até a manhã desta segunda-feira, nenhuma cidade da região estava diretamente em perigo. Mesmo assim, três pessoas tiveram que ser retiradas de suas casas. Um bombeiro morreu e pelo menos quatro pessoas ficaram feridas.

Segundo um cálculo feito pela agência de notícias Lusa, que compilou os dados fornecidos pelas autoridades locais, cerca de 6 mil hectares já teriam sido destruídos. De acordo com o presidente da Câmara de Oleiros, Fernando Jorge, mesmo se poucas casas foram destruídas, as perdas são "muito significativas" no setor da floresta, sobretudo de pinhal, fonte de recursos econômicos na região. Ele calcula que os prejuízos serão de cerca de € 7 milhões.

As autoridades de Oleiros e Proença-a-Nova, as zonas mais afetadas pelo fogo, pedem mais recursos do Estado para enfrentar esse tipo de situação, que se repete frequentemente durante o verão. "Falta capacidade legislativa para mudar este círculo vicioso de sermos fustigados com fogos ano sim, ano não ou ano sim, ano sim. É preciso uma maior presença das entidades públicas", afirmou o presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo.

"São milhões e milhões de euros gastos com aviões e com a limpeza da floresta, e isto resolvia o problema de fundo", completou o presidente da Câmara de Oleiros, Fernando Jorge, defendendo uma intervenção mais firme do Governo nacional.

Em 2017, a região foi palco de incêndios florestais que mataram 114 pessoas.

 

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