Crise sanitária leva Alemanha a queda histórica do PIB

O PIB da Alemanha, a primeira economia europeia, teve um recuo recorde de 10,1% no segundo trimestre, depois de uma queda dois por cento no primeiro trimestre.
O PIB da Alemanha, a primeira economia europeia, teve um recuo recorde de 10,1% no segundo trimestre, depois de uma queda dois por cento no primeiro trimestre. AP - Michael Probst

A Alemanha sofreu no segundo trimestre de 2020 um declínio histórico de 10,1% de seu produto interno bruto (PIB), como resultado das medidas restritivas adotadas para limitar a disseminação do coronavírus, anunciou o Departamento Federal de Estatística (Destatis) nesta quinta-feira (30).

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Este é o "pior recuo do indicador desde o início das medições trimestrais do PIB na Alemanha, em 1970", muito mais do que o recorde anterior, de -4,7%, no primeiro trimestre de 2009, no auge da crise financeira, destacou o Destatis em seu comunicado.

Em um ano, o PIB caiu 11,7%, em dados corrigidos pela inflação. "No segundo trimestre de 2020, tanto as exportações quanto as importações de bens e serviços despencaram maciçamente", comentou o instituto.

A economia alemã sofreu um choque: o confinamento decretado de meados de março a maio, diante da crise sanitária, paralisou a produção de muitos setores, diminuiu bastante o desempenho do comércio e restringiu o consumo. Em abril, no auge das restrições, a produção industrial, principal pilar da maior economia da zona do euro, sofreu uma queda histórica de 17,9%. As encomendas à indústria foram reduzidas em 25,8% e as exportações caíram 31,1%.

A partir de maio, beneficiando-se de uma situação sanitária melhor do que a de seus vizinhos, a Alemanha suspendeu a maioria de suas medidas restritivas contra a Covid-19, permitindo a retomada de sua atividade econômica. "Agora podemos esperar recuperar o atraso durante o resto do ano", mas o ritmo dependerá da situação de saúde, diz Jens Oliver Niklash, economista do banco LBBW.

O governo alemão prevê um retorno ao crescimento a partir de outubro, o mais tardar, e uma recuperação de 5,2%, a partir de 2021, bem como um retorno aos níveis de produção pré-crise em 2022. Como sinal de estabilização da economia, a taxa de desemprego no país permaneceu no mesmo nível em julho e junho, em 6,4%, após três meses consecutivos de aumento devido à crise.

Com informações da AFP.

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