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Companhia aérea KLM anuncia corte de até 5.000 empregos devido ao coronavírus

A companhia aérea holandesa KLM indicou que pode suprimir até 5.000 postos de trabalho nos próximos anos devido à crise provocada pelo novo coronavírus.
A companhia aérea holandesa KLM indicou que pode suprimir até 5.000 postos de trabalho nos próximos anos devido à crise provocada pelo novo coronavírus. REUTERS - Gonzalo Fuentes
Texto por: Maria Paula Carvalho
4 min

A companhia aérea holandesa KLM informou nesta sexta-feira (31) a intenção de suprimir até 5.000 empregos até o final de 2021 devido à crise causada pela pandemia de Covid-19.

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"A KLM está no auge de uma crise de magnitude sem precedentes (...) Acreditamos que o caminho da recuperação seja longo e cheio de incertezas", afirmou a empresa em um comunicado. "Isso significa que a estrutura e o tamanho da KLM ainda precisam ser rigorosamente ajustados nos próximos anos. Como resultado, de 4.500 a 5.000 posições, em todo o grupo KLM, desaparecerão", alertou a direção da companhia.

Apesar do plano de auxílio de € 3,4 bilhões concedido pelo governo holandês, perdas abismais sofridas pela empresa tornam inevitáveis ​​esses cortes de empregos, explicou a companhia que faz parte da aliança Air France-KLM.

A empresa holandesa prevê cerca de 1.500 demissões entre seus 33.000 funcionários. Outras 2.000 demissões voluntárias já haviam sido anunciadas este ano, além da não renovação de 1.500 contratos temporários.

Perdas no primeiro semestre

O grupo Air France-KLM sofreu uma perda de € 2,6 bilhões no segundo trimestre, em consequência do colapso do tráfego aéreo mundial causado pela pandemia de Covid-19. Nos três primeiros meses do ano, a perda havia sido de € 1,8 bilhão.  "Os números de que estamos falando são do primeiro semestre, no momento em que você não tem renda e continua pagando os encargos, é bastante matemático", observou a ministra delegada da Indústria francesa, Agnès Pannier-Runacher.

O Estado francês continuará a apoiar a Air France sem "qualquer ambiguidade" e sem excluir, se necessário, um aumento de capital, disse ela nesta sexta-feira, no dia seguinte em que a companhia aérea anunciou perdas maciças. "Não há ambiguidade, o Estado estará lá porque acreditamos que ter uma empresa nacional é um elemento importante de nossa soberania", declarou Pannier-Runacher.

Questionada sobre uma possível renacionalização da empresa, a ministra julgou que este "não era o assunto". "O assunto é como a Air France vai se recuperar, e nós estaremos lá e, se precisarmos aumentar o capital, o faremos. Não estamos descartando, mas esse não é o assunto do momento", afirmou.

"Sim, temos de manter uma companhia aérea nacional", confirmou o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, ao canal CNews. "O Estado fará o que for necessário para manter essa companhia aérea nacional, os empregos que a acompanham, a independência que isso representa", disse.

Air France recebe apoio governamental

Paris concedeu € 7 bilhões em auxílio à Air France na forma de empréstimos. A companhia de aviação francesa anunciou que cortará 7.580 empregos até o final de 2022. "Acredito que com os € 7 bilhões que foram concedidos a Air France possa chegar ao final do ano. Mas se em um momento ou outro, se o tráfego aéreo não for retomado e a situação econômica permanecer difícil, a Air France poderá contar com o apoio do Estado ", garantiu o ministro da Economia.

Retomada lenta

Em entrevista à RFI, Yann Derocles, analista do setor aeronáutico, disse que "a retomada do tráfego aéreo será lenta”. “Na Europa, as companhias trabalham com uma baixa de sua capacidade de 57% em relação ao ano passado”, aponta o especialista que prevê, ainda, o fechamento de um terço das companhias aéreas existentes.

Quanto a uma volta à normalidade, Derocles prevê que deverá levar tempo. “A previsão é de um retorno ao volume de voos pré-Covid, na Europa, em 2022. Porém, o tráfego internacional não deverá voltar às mesmas condições antes de 2025”, estima.

De acordo com os cálculos de Derocles, o grupo Air France-KLM consome, descontados os investimentos em aviões novos, “entre € 150 e 200 milhões por mês".  "A situação de liquidez, a curto termo não é um problema”, diz. "A questão está a longo termo, já que o grupo não poderá conservar uma dívida tão alta”, afirma, referindo-se aos empréstimos anunciados. “Será necessária uma reestruturação das rotas, da frota, redução de efetivo e, possivelmente, aumento de capital”, conclui.

A França e a Holanda possuem 14% cada do grupo franco-holandês Air France- KLM. Para Derocles, não há como falar em renacionalização nessas condições. “Hoje os Estados holandês e francês estão no mesmo nível de capital e obrigatoriamente teriam que agir conjuntamente, com a mesma participação”, observa.

A negociação acontece num contexto de recessão econômica na Europa. A França registrou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 13,8% no segundo trimestre deste ano, o pior resultado desde 1949.

 

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