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Gênova inaugura nova ponte Morandi, mas famílias das vítimas boicotam cerimônia

Ponte San Giorgio, ao fundo, substitui e Ponte Morandi, que desabou em 14 de agosto de 2018 matando 43 pessoas.
Ponte San Giorgio, ao fundo, substitui e Ponte Morandi, que desabou em 14 de agosto de 2018 matando 43 pessoas. REUTERS/Flavio Lo Scalzo
Texto por: RFI
4 min

Quase dois anos após a queda da ponte Morandi, em um acidente que matou 43 pessoas, as autoridades italianas inauguram nesta segunda-feira (3) o novo viaduto de Gênova, batizado de ponte San Giorgio. A cerimônia conta com a presença dos principais líderes políticos do país, mas as famílias das vítimas decidiram boicotar o evento.

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Anne Le Nir, correspondente da RFI em Roma

As autoridades imaginaram uma cerimônia sóbria, em respeito à dor das vítimas do acidente, que deixou o país de luto em 14 de agosto de 2018. O presidente do Conselho italiano, Giuseppe Conte, e o presidente Sergio Matarella participam do evento.

O projeto da ponte San Giorgio, cujo nome é uma homenagem ao padroeiro da cidade, foi um presente da estrela da arquitetura Renzo Piano, nativo de Gênova. A obra foi feita por um consórcio criado pelas empresas Fincantieri e Webuild e a fatura total de mais de € 220 milhões foi arcada pela Autostrade per l'Italia, gestora da ponte.

A estrutura de um quilômetro de comprimento, que liga a Itália à França e ao resto da Europa, foi erguida em um tempo recorde e respeitou o orçamento previsto. Cerca de 1.200 pessoas trabalharam dia e noite para concluir uma obra que está sendo vista pelas autoridades locais como um “símbolo do novo renascimento italiano”.

No entanto, a cerimônia de inauguração é criticada pelos familiares das vítimas, que decidiram boicotar o evento. Elas alegam que o acidente poderia ter sido evitado e preferiram se reunir em uma homenagem mais intimista, em 14 de agosto, data do aniversário de dois anos da catástrofe.

"Não participaremos, pois não queremos que a tragédia acabe em carnaval", declarou Egle Posseti, representante do Comitê de familiares, que perdeu irmã, cunhado e dois sobrinhos na catástrofe.

Falta de manutenção da ponte

As investigações sobre o acidente ainda estão em andamento, mas os peritos já apontam como possíveis responsáveis a gestora Autostrade per Italia, cujo acionista principal é a família Benetton. Os primeiros estudos indicam que a ponte Morandi, construída nos anos 1960, sofria de falta de manutenção. O episódio trouxe à tona a situação de abandono enfrentada pelas infraestruturas italianas.

Mas as autoridades italianas preferem ver o lado positivo, celebrando a construção do novo projeto. “Há arrependimentos pelo que aconteceu, mas também há orgulho pelo trabalho que foi feito. Mostramos a excelência italiana”, declarou o prefeito de Gênova, Marco Bucci, nomeado pelo governo para chefiar o gigantesco canteiro de obras.

Tragédia humana e econômica

A ponte será aberta à circulação de veículos em 5 de agosto. As autoridades tinham pressa em inaugurar a obra, pois além da tragédia humana - como mortes e centenas de pessoas que perderam suas casas - a queda da estrutura teve um impacto direto na economia da região.

Anualmente, cerca de 70 milhões de toneladas de mercadorias eram transportadas passando pela ponte e 1,3 milhões de viajantes transitavam pela cidade portuária, que fez do comércio sua principal riqueza. Segundo Marco Bucci, em 20 meses de fechamento da rota, 134 empresas tiveram que suspender suas atividades. A interrupção do transporte de mercadorias através da ponte Morandi resultou em um prejuízo de € 6 milhões por dia.

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