Presidente turco acusa França de se ver como "dona" do Mediterrâneo

Fotografia divulgada pelo ministério turco da Defesa no diq 12/08/2020 mostra o navio de investigação sísmica "Oruc Reis" (centro), escoltado por barcos da marinha turca no Mediterrâneo (10/08/2020).
Fotografia divulgada pelo ministério turco da Defesa no diq 12/08/2020 mostra o navio de investigação sísmica "Oruc Reis" (centro), escoltado por barcos da marinha turca no Mediterrâneo (10/08/2020). TURKISH DEFENCE MINISTRY/AFP/Archivos

A Turquia acusou nesta sexta-feira (14) Paris de se comportar como "amo e senhor" do Mediterrâneo oriental e emitiu um severo aviso à Grécia, enquanto os países europeus se reuniam em Bruxelas para apoiar Atenas, além de discutir a crise em Belarus.

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A situação no Mediterrâneo é explosiva após o envio pela Turquia de um navio de pesquisa sísmica, escoltado por navios militares turcos em uma área rica em reservas de gás na segunda-feira.

A França respondeu mobilizando navios e aviões de guerra nessa área do Mediterrâneo no dia seguinte, para deixar claro seu apoio às autoridades gregas na crise, uma decisão que levou o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, a acusar a França de se comportar como um "valentão".

"A França, em particular, deve parar de tomar medidas que acentuam as tensões", disse Cavusoglu, em um momento de desacordo entre os governos francês e turco não só sobre a situação no Mediterrâneo oriental, mas também sobre a Líbia.

Berlim quer evitar nova escalada

Os chanceleres da União Europeia reuniram-se para manifestar o apoio à Grécia na disputa, além de debater a situação em Belarus.

A Alemanha, antes da reunião, pediu "que seja feito todo o possível para evitar uma nova escalada" entre Ancara e Atenas.

Em um sinal da fragilidade da situação, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, garantiu que os navios turcos responderam a uma tentativa de ataque ao navio de exploração Oruc Reis.

O jornal grego Kathimerini relatou um confronto entre uma fragata grega e uma turca na sexta-feira, mas o exército helênico não confirmou o incidente.

Desde o início da crise, a Turquia mantém um discurso contraditório, que combina mensagens agressivas com pedidos para reduzir a tensão.

Cavusoglu garantiu que o seu país "não quer uma escalada" e que é a favor de um "diálogo sereno", após atribuir ao governo grego toda a responsabilidade pelas tensões atuais.

Para tentar acalmar a situação, a chanceler alemã, Angela Merkel, conversou por telefone na quinta-feira com o presidente turco e com o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis.

Erdogan explicou a Merkel que o navio sísmico turco continuará suas explorações até 23 de agosto, mas que a partir desta data estarão dispostos a negociar para "acalmar as coisas".

As autoridades turcas já haviam anunciado na semana passada que suspenderiam a busca por gás a pedido da Alemanha, mas alguns dias depois as retomaram.

Gás inflama cobiça de Atenas e Ancara

A descoberta nos últimos anos de grandes depósitos de gás no Mediterrâneo oriental alimentou o interesse dos países por esses recursos e acentuou a rivalidade entre Grécia e Turquia, ambos países da OTAN, mas com uma rivalidade histórica territorial.

Atenas considera que essas explorações representam uma violação do seu espaço marítimo por serem realizadas perto da ilha grega de Kastelorizo.

Mas a Turquia acusa a Grécia de ter uma "visão maximalista" e rejeita que a presença dessa pequena ilha, localizada a apenas dois quilômetros da costa turca, e a mais de 500 quilômetros de Atenas, possa limitar sua capacidade de explorar tais recursos naturais.

 

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