Sem preocupações, mas alertas: brasileiras contam como é a volta às aulas na Holanda

Marina, filha da brasileira Laura Bos, voltou ás aulas presenciais nesta segunda-feira, em Dokkum, na Holanda, para o ano letivo de 2020/ 2021
Marina, filha da brasileira Laura Bos, voltou ás aulas presenciais nesta segunda-feira, em Dokkum, na Holanda, para o ano letivo de 2020/ 2021 © Arquivo pessoal

Enquanto França, Portugal, Espanha e Itália se preparam para a volta às aulas em meio a uma alta de número de infectados - foram mais de 3.000 casos registrados na França nas últimas 24 horas -, províncias de países como Alemanha e Holanda já iniciaram o ano letivo de 2020/2021 com aulas presenciais. Os alunos do ensino fundamental na região norte da Holanda voltaram às aulas nesta segunda-feira (17).

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A baiana Laura Bos mora em Dokkum, na Holanda, e é mãe de duas crianças, uma delas em idade escolar. Nesta segunda, Marina, de 11 anos, teve o primeiro dia de aula na escola da sua vizinhança, ela está no ensino fundamental.

“Para mim, é uma mistura de sentimentos. Por um lado, eu quero muito que a vida volte ao normal e, por outro, eu fiquei bastante apreensiva, pois nos últimos dias houve uma alta considerável de casos aqui em Dokkum”, conta Laura.

Na Holanda, que registrou um total de 62.943 casos de Covid-19 desde o início da pandemia, com 6.163 mortes, o uso de máscaras não é obrigatório nas ruas nem nas escolas, mas os pais têm de marcar horário para levar ou buscar os filhos na escola e não devem entrar no estabelecimento.

As crianças maiores, como Marina, são incentivadas a irem sozinhas, de bicicleta. Além disso, precisam lavar sempre as mãos e manter distância de 1,5 metro em relação aos professores (entre as crianças não há esta exigência).

“Marina foi apreensiva para a escola hoje, mas voltou superfeliz”, relata a mãe, que disse ter ficado mais tensa quando a filha retomou as aulas presenciais depois do confinamento, em 11 de maio.

Ainda não há diretrizes sobre a retomada das aulas de esporte, que foram suspensas desde março. Marina ouviu hoje na escola também sobre a possibilidade de um novo confinamento. “Estamos acompanhando a situação atentamente”.

Para a paulista Beatriz Hoinkis, que mora na província de Friesland, a volta às aulas de seu filho Thomas Otto, 12 anos, foi uma alegria. Sua filha mais velha, Maria Pia, de 14 anos, volta às aulas na quarta-feira (19).

Para Beatriz, que era advogada em São Paulo e se tornou enfermeira na Holanda, onde mora desde 2003, "é importante para a saúde mental das crianças retomar a rotina".

“Eu estou muito tranquila. Eu confio nos números e nas diretrizes do governo. Sempre digo aos meus filhos que o vírus continua circulando e dou as devidas orientações”, diz a enfermeira, que trabalha no time de contenção do coronavírus na sua província e, além de realizar cerca de cem testes diários, aplica os questionários para saber como circula o vírus nos casos em que o resultado é positivo.

“A gente tem que se informar todo dia e viver um dia de cada vez. A alta de casos aqui na Holanda se deve à população jovem, que quer curtir o verão e não respeita a distância social. Por enquanto, isso não tem se refletido nos hospitais, que não estão registrando mais internações. O problema é se estes jovens não se comportarem e contaminarem seus pais, tios, avós... Por isso temos de olhar os números e estar preparados para mudanças de diretrizes, se necessário”, afirma.

“Eu não estou preocupada, estou alerta”, completa a enfermeira.

França e Itália

Na França continental, pais e alunos ainda não receberam as especificações do Ministério da Educação de como se dará a volta às aulas, marcadas para 1º de setembro. Com o aumento dos casos, o governo está aguardando os dados dos dias que antecedem a retomada.

Já na Ilha de Reunião, departamento francês no Oceano Índico, a volta às aulas aconteceu nesta segunda-feira (17) com alunos e professores usando máscaras.

A situação para o início do ano letivo na Ilha da Reunião foi considerada "em geral satisfatória" pelo ministro do Ultramar, Sébastien Lecornu, “com apenas 24 estabelecimentos, dos 670 da ilha, para os quais a volta as aulas foi adiada por uma semana”, sublinhou.

A Itália, que tenta conter uma retomada da pandemia do coronavírus, “fará os sacrifícios necessários para garantir o início do ano letivo em meados de setembro”, disse o ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza, preocupado com o aumento da contaminação entre os jovens.

“Em menos de um mês temos que reabrir escolas e universidades com segurança. E não podemos errar. (...) Vai depender do nosso comportamento e todos, a começar pelos jovens, devem estar cientes disso ", disse Speranza em entrevista ao jornal La Repubblica nesta segunda-feira.

A Itália, o primeiro país da Europa a ser atingido pela epidemia, registrou 254.000 casos de Covid-19 e mais de 35.000 mortes. Depois de um severo confinamento de dois meses, em março / abril, seguido de um lento "desconfinamento", o país não mandou seus filhos de volta à escola, cuja reabertura está marcada para meados de setembro.

“O quadro italiano é muito melhor que o da maioria dos países europeus, hoje menos de 500 casos (diários), contra 3.000 na França e na Espanha. Mas a tendência de retomada do contágio nos obriga a levantar, sem alarmismo, o nível de atenção ", de acordo com Speranza.

“Não podemos reprovar na escola, e cada medida, cada sacrifício pedido é feito pensando na reabertura das escolas, que marcará o verdadeiro fim do confinamento”, acrescentou o ministro italiano.

(Com informações da AFP)

 

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