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Situação na Amazônia faz Merkel hesitar sobre futuro do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ter "sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme planejado".
A chanceler alemã, Angela Merkel, disse ter "sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme planejado". AP - Chrisrophe Simon
Texto por: RFI
4 min

A chanceler alemã, Angela Merkel, expressou pela primeira vez, nesta sexta-feira (21), "sérias dúvidas" sobre o futuro do vasto acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os países sul-americanos do Mercosul. Segundo a chefe do governo da Alemanha, país atualmente à frente da presidência rotativa do bloco europeu, a principal razão do pessimismo é a ameaça ecológica que paira sobre a floresta amazônica no Brasil.

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"Temos sérias dúvidas de que o acordo possa ser aplicado conforme planejado, quando vemos a situação" na Amazônia, afirmou o porta-voz da chanceler alemã, Stephan Seibert. "Estamos céticos", disse o representante de Berlim.

Esse amplo acordo de livre comércio foi assinado no ano passado entre a UE e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), mas para ser validado definitivamente ainda deve ser ratificado por todos os parlamentos nacionais, o que ainda não ocorreu.

O Parlamento austríaco e, muito recentemente, o Parlamento holandês, rejeitaram o acordo na sua forma atual. Outros países como Bélgica, Irlanda e Luxemburgo também expressaram reservas, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou claramente sua oposição ao tratado UE-Mercosul por desrespeito do governo de Jair Bolsonaro ao Acordo do Clima de Paris

Na sexta-feira passada, a defensora do povo europeu, Emily O'Reilly, decidiu abrir uma investigação sobre o acordo, atendendo as preocupações de cinco ONGs sobre o estudo de seu impacto ambiental.

A Alemanha era um dos grandes promotores deste acordo. Mas os comentários feitos por Berlim nesta sexta-feira aumentam o peso das críticas do lado europeu.

Mais de 20 anos de negociação 

Após 20 anos de negociações, a UE e os países do Mercosul chegaram, há um ano, a um princípio de acordo comercial. O bloco sul-americano busca sua implementação o quanto antes.

O texto se encontra, atualmente, na etapa de tradução para todas as línguas oficiais da UE, após a conclusão de sua revisão jurídica. Esta etapa deve estar concluída até outubro.

O acordo é alvo de ações de ambientalistas, que temem seu impacto no meio ambiente. Para responder a essas críticas, um capítulo abordando, em particular, a "conservação florestal" foi incluído no texto final.

Mas agora, a chanceler alemã disse claramente que tem "fortes preocupações" com o "desmatamento contínuo" e com os "incêndios" que aumentaram nas últimas semanas na Amazônia. "Neste contexto", Berlim "levanta sérias questões sobre a aplicação prevista" do acordo e, em particular, desta cláusula. "A Amazônia preocupa o mundo todo", acrescentou o porta-voz da chanceler.

Influência de Greta Thunberg? 

Essa posição de Merkel é tomada no dia seguinte a um encontro entre a chanceler alemã e os dirigentes do movimento ambientalista "Fridays for future", em particular Greta Thunberg, em Berlim.

"Angela Merkel aprovou nossas críticas ao acordo com o Mercosul, e não pretende assiná-lo", afirmou no Twitter Luisa Neubauer, figura do movimento na Alemanha, que participou do encontro.

O acordo foi originalmente apoiado pela Alemanha e sua poderosa indústria exportadora, especialmente a indústria automotiva, que viu nele a oportunidade de conquistar novos mercados. Mas as preocupações ecológicas, amplamente compartilhadas pela opinião pública alemã, estão ganhando cada vez mais peso no país, onde as manifestações frequentes reúnem milhares de jovens ativistas.

(Com informações da AFP)

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