Opositora bielorrussa fala do exílio na Lituânia: “Está acontecendo uma revolução da consciência”

Principal oponente bielorussa, Svetlana Tikhanovskaya concedeu entrevista exclusiva diretamente do exílio na Lituânia ao jornal Le Monde.
Principal oponente bielorussa, Svetlana Tikhanovskaya concedeu entrevista exclusiva diretamente do exílio na Lituânia ao jornal Le Monde. AFP

O jornal Le Monde desta quarta-feira (26) traz uma entrevista exclusiva com a opositora bielorussa Svetlana Tsikhanovskaya, que perdeu a eleição presidencial em 9 de agosto para Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos. Uma eleição considerada manipulada e fraudulenta. Após dez dias de silêncio, oficialmente devido à quarentena, Svetlana Tsikhanovskaya, de 37 anos, está recuperando o tempo perdido.

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Na última sexta-feira (21), Tsikhanovskaya deu sua primeira entrevista coletiva de Vilnius, na Lituânia, onde se refugiou. Ela conta que foi uma decisão pessoal sair de seu país em 11 de agosto, dois dias após as eleições, para se juntar aos seus filhos, que já estavam na Lituânia. Após ter sido vítimas de ameaças em seu país, ela diz que se sente mais livre para agir politicamente do exílio, onde, segundo ela, encontrou liberdade e segurança. 

Aquela que agora é a principal opositora ao regime do presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, se reuniu na segunda-feira (24) com o secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos, Stephen Biegun, que disse estar "impressionado", e se dirigiu ao Parlamento Europeu na terça-feira por videoconferência. Ela se diz aberta também a dialogar com Moscou, a quem pede, de antemão, respeito pela soberania de seu país. 

Nesta entrevista ao Le Monde, concedida na terça-feira (25), ela disse que continuou a apostar em manifestações pacíficas e greves para protestar contra aquele que é descrito como "o último ditador da Europa". Tsikhanovskaïa também revela os contornos do Conselho de Coordenação da Oposição, que lidera a mobilização contra Lukashenko, do qual vários membros estão presos ou ameaçados de prisão.

Resultados das eleições são falsos, segundo Tsikhanovskaïa

Sobre o atual presidente, ela é categórica: diz que todos sabem que os resultados oficiais - 80% a favor de Alexander Lukashenko - são falsos e que a maioria dos eleitores votou nela. Diz que o presidente não tem mais legitimidade. “O que está acontecendo é uma revolução da consciência”, afirma.

Ela acredita que mais cedo ou mais tarde Lukashenko renunciará, graças a protestos e greves pacíficas. “Mas todos estão preparados para o fato de que essa crise pode durar algum tempo”, confessa Tsikhanovskaïa, que viu com incredulidade as imagens de Lukashenko no domingo (23), exibindo uma Kalashnikov e em uniforme de combate. “Em vez de aterrorizar a população, ele provocou risos”, diz.

A opositora explica ao Le Monde o funcionamento do Conselho de Coordenação, que está liderando os protestos e é formado por sete membros, nomeados por uma assembleia de 70 pessoas. Mais de 500 militantes se inscreveram, segundo ela, que não pode mais fazer parte do grupo porque uma das regras é morar em Belarus.

Ela conta que ela e as duas mulheres que lideraram a sua campanha escolheram os membros, tentando representar todos os setores da sociedade, com operários, artistas, advogados, professores, etc.

Tsikhanovskaïa e seu movimento exigem a libertação dos presos políticos e o retorno à Constituição de 1994, que limita os mandatos presidenciais a dois. “Por fim, será necessário substituir a comissão eleitoral central, que perdeu a confiança dos cidadãos”, conclui, em entrevista ao jornal Le Monde.

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