Putin reafirma seu lado na crise de Belarus: está pronto a enviar forças armadas, se necessário

Na foto de 2019, o bielorrusso Alexander Loukashenko fala com o presidente russo, Vladimir Putin.
Na foto de 2019, o bielorrusso Alexander Loukashenko fala com o presidente russo, Vladimir Putin. REUTERS - POOL New

O presidente russo, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira (27) que está pronto a enviar forças armadas ao vizinho Belarus caso a crise pós-eleitoral se acirre. No entanto, ele insiste que um acordo entre o colega, Alexander Loukachenko, e a oposição seja negociado.

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No poder de Belarus desde 1994, Alexander Loukachenko é confrontado há três semanas por uma onda de protestos que contesta o resultado das últimas eleições. A oposição afirma que houve fraude.

Em uma entrevista à televisão estatal russa, Putin afirmou que a Rússia está pronta para intervir no território vizinho, se necessário, conforme os acordos militares e de segurança existestes entre os dois países.

"Alexander (Lukachenko) me pediu para criar uma certa reserva de policiais e eu o fiz", disse o russo, acrescentando imediatamente que esperava não ter que recorrer a isso.

“Concordamos que não vou usá-lo até que a situação esteja fora de controle e os elementos extremistas (...) ultrapassem certos limites: que ponham fogo em carros, casas, bancos, tentem confiscar prédios administrativos ", exemplificou Putin.

Na entrevista, o presidente russo incentivou "todos os participantes deste processo" a "encontrar uma saída" para a crise.

Apesar dos milhares de presos entre os manifestantes, protestos contra o governo de Loukashenko continuam a ser realizados na capital de Belarus, Minsk.
Apesar dos milhares de presos entre os manifestantes, protestos contra o governo de Loukashenko continuam a ser realizados na capital de Belarus, Minsk. AFP/File

Oposição considera intervenção inaceitável

A oposição classificou a criação de um grupo de reserva de "inaceitável" e "contrária ao direito internacional", rejeitando "qualquer interferência estrangeira de qualquer tipo" em Belarus.

As declarações de Putin também foram condenadas pela Polônia, que pediu a Moscou que "abandone imediatamente seus planos de intervenção militar sob um falso pretexto".

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, por sua vez, pediu a Moscou que não "interfira" em Belarus.

A oposição afirma que pretende negociar com Alexander Lukashenko, enquanto pede sua saída. O presidente bielorrusso, por sua vez, recusa qualquer diálogo.

Ele enfrenta uma crise sem precedentes desde que chegou ao poder em 1994. Protestos gigantes têm ocorrido para denunciar sua reeleição, cujo resultado é contestado: 80% dos votos para Lukashenko.

Os manifestantes consideram que a adversária Svetlana Tikhanovskaïa, atualmente refugiada na Lituânia, venceu.

Repressão aumenta

Apesar do aumento da repressão contra os protestos, com milhares de pessoas detidas, os opositores continuam a se reunir todos os dias na capital Minsk e em outras cidades do país.

Nos últimos dois domingos, cerca de 100 mil pessoas foram às ruas para protestar contra o presidente. Uma nova manifestação está marcada para o próximo domingo (30).

A maioria dos 7 mil manifestantes presos foi libertada, mas os diplomatas da União Europeia exigem acesso às prisões onde alguns ainda estão detidos, em meio a testemunhos de maus-tratos e tortura.

Loukachenko, que permanece inflexível, denunciou na quinta-feira uma "guerra híbrida", ao mesmo tempo diplomática e midiática, pilotada pelos vizinhos bálticos e poloneses de Belarus.

 

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