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Covid-19: garantir escola para crianças é mais importante do que abrir bares, diz diretor da OMS

Escola em Roma se prepara para receber alunos em plena pandemia
Escola em Roma se prepara para receber alunos em plena pandemia AFP
Texto por: RFI
4 min

Segundo o diretor das situações de emergência da OMS (Organização Mundial da Saúde), Michael Ryan, o outono europeu será um momento decisivo na luta contra a Covid-19. Para Ryan, é hora de tomar decisões mais "duras" para proteger as pessoas mais vulneráveis e manter as crianças e adolescentes na escola, mesmo que isso represente "sacrifícios inevitáveis". 

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"A Europa entra em uma estação em que as pessoas vão começar a ficar mais dentro de casa. O risco de infecção vai aumentar", declarou Ryan durante uma coletiva de imprensa virtual nesta terça-feira (15).

Segundo ele, os países devem assumir compromissos que possibilitem manter os mais jovens na escola e os idosos na vida social – o isolamento dos mais velhos é uma grande preocupação dos governos. "Os adultos devem manter uma distância suficiente para favorecer a queda nos contágios", declarou. "O que é mais importante? O retorno das crianças à sala de aula ou a abertura de bares e discotecas?", questionou.

De acordo com a OMS, os menores de 20 anos representam menos de 10% dos casos e 0,2% das mortes. As escolas, declarou paralelamente o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, só devem fechar em último caso nas áreas de forte transmissão do coronavírus e medidas são necessárias para evitar o fechamento dos estabelecimentos.

O caso da Grécia exemplifica o amadorismo de alguns governos europeus na gestão da epidemia. No país, as autoridades distribuíram milhares de máscaras na volta às aulas, mas a maioria delas era grande demais para o rosto dos alunos. As fotos com a proteção, batizada de "máscara paraquedas" circularam nas redes sociais nesta quarta-feira (16)e viraram alvo de piada.

Recorde de contaminações

Na sexta-feira, a OMS registrou 53.873 contaminações em 24 horas. Maria Van Kerkhove, responsável pela gestão da Covid-19 na organização, estimou que o aumento de casos na Europa estava parcialmente ligado à realização de um grande número de testes, mas foi maior do que em abril e maio. "É uma tendência preocupante", disse.

A OMS também publicou um guia contra a Covid-19 para a escola. "Não existe risco zero", lembrou o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus. Após nove meses de crise, os especialistas têm cada vez mais informações sobre como o coronavírus atinge as crianças, ainda que muitas questões permaneçam sem resposta, como, por exemplo, o papel delas na transmissão – muitos vezes, as crianças são assintomáticas.

Segundo a diretora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, metade das crianças em todo mundo ainda não voltou para a escola  e 11 milhões de meninas talvez nunca mais voltem a estudar. A pandemia do novo coronavírus já deixou pelo menos 929.391 mortos no mundo. Os Estados Unidos continuam sendo o país mais atingido do mundo, com 196.000 mortos, seguido pelo Brasil, com 133.000 mortos.  

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