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Cardeal do Vaticano que renunciou devido a escândalo clama sua inocência

O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu no Vaticano, 28 de junho de 2018.
O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu no Vaticano, 28 de junho de 2018. AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

Um dos cardeais mais influentes do Vaticano, o italiano Angelo Becciu, que renunciou a seu posto na Santa Sé após ter a reputação manchada por um escândalo imobiliário, afirmou nesta sexta-feira (25) que é inocente e que o Papa Francisco o teria exortado a deixar o cargo.

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Federico Guiglia, correspondente da RFI em Roma

Ele ainda é um cardeal, mas sem os direitos do posto: não poderá mais participar e nem votar em um conclave. Giovanni Angelo Becciu, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, um dos homens mais poderosos do Vaticano, renunciou ao cargo. O Papa Francisco aceitou o pedido.

Esta é uma renúncia forçada, pois o cardeal estava relacionado a um escândalo financeiro no âmbito de uma investigação sobre um investimento imobiliário de US$ 1 milhão pelo Vaticano em Londres, que a secretaria de Estado realizou em 2014.

Naquela época, o cardeal ocupava um posto na secretaria. Segundo a revista L’Espresso, o prelado teria favorecido também durante a sua carreira a atividade de seus irmãos, que na Sardenha se ocupam da integração e ajuda social sob os auspícios da igreja.

"Golpe"

"É um golpe para mim, para a minha família e para o meu país. Com o meu voto de obediência, por amor à Igreja e ao Papa, aceitei o seu pedido de deixar as minhas funções", disse o cardeal, citado sexta-feira pelo jornal Il Messaggero.

"Sou inocente e vou provar isso. Peço ao Santo Padre que me deixe me defender", acrescentou. Segundo Il Messaggero, o papa disse ao cardeal: "Sempre gostei de você, sinto muito, mas não posso fazer de outra forma".

O prelado de 72 anos foi ordenado cardeal por Francisco. Esta é a terceira vez que os direitos de um cardeal são retirados; a primeira delas foi relacionada a investimentos do Vaticano.

Depois de uma carreira como núncio (embaixador), o prelado italiano serviu por sete anos como substituto do secretário de Estado do Vaticano, o equivalente a um Ministro do Interior, em constante contato com Bento XVI e, posteriormente, com o Papa Francisco.

Ordenado cardeal em 2018 por Francisco, Angelo Becciu assumiu as rédeas da administração da Santa Sé, encarregada de investigar e decidir sobre beatificações e canonizações.

Uma propriedade em Chelsea

A renúncia do cardeal aos 72 anos, prematura pelos costumes da Igreja, parece uma sanção. O curto comunicado do Vaticano especifica que ele continuará a ser cardeal, mas perde todos os direitos vinculados a essa função, especialmente a possibilidade de eleger um novo papa durante um conclave ou de assessorar o atual pontífice soberano.

O nome do cardeal veio à tona em várias ocasiões no contexto de uma investigação, lançada há um ano, sobre acordos financeiros opacos para comprar uma propriedade no elegante bairro londrino de Chelsea.

O processo de compra começou em 2014, quando Becciu ainda estava na secretaria de Estado, administração central da Santa Sé que decidiu este investimento. No início deste ano, Becciu defendeu a validade dessa compra de imóveis em entrevistas.

Como parte dessa investigação, cinco funcionários da secretaria de Estado também estão na mira da justiça do Vaticano. Um empresário italiano foi preso em junho passado sob suspeita de extorsão contra a Santa Sé, em conexão com a compra do edifício de Londres, antes de ser provisoriamente libertado.

De acordo com as revelações da revista italiana L'Espresso que será publicada no domingo (27), o prelado teria alocado centenas de milhares de euros do episcopado italiano e da Santa Sé, em várias ocasiões, a uma cooperativa na Sardenha dirigida por seu irmão.

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