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Polícia prende manifestantes e dispersa protesto com granadas em Belarus

Cena mostra polícia cercando manifestantes durante protesto em Belarus
Cena mostra polícia cercando manifestantes durante protesto em Belarus AP
Texto por: RFI
3 min

Dezenas de manifestantes foram presos neste domingo (11) em Minsk, pouco antes do início de um novo protesto semanal, reprimido com violência pela polícia. O movimento, iniciado em agosto, denuncia a reeleição do presidente Alexander Lukashenko, acusado de fraude.

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As imagens divulgadas por veículos independentes mostram policiais de choque e homens encapuzados em roupas civis, correndo no canteiro central de uma grande avenida na capital bielorrussa. Nas cenas, agentes prendem brutalmente alguns manifestantes. Segundo a ONG Viasna, 39 pessoas foram detidas. Mais de dez jornalistas, incluindo representantes da mídia russa, também foram presos neste domingo.

A polícia bielorussa utilizou jatos de água e granadas para dispersar o protesto, de acordo com a porta-voz do Ministério do Interior, Olga Tchemodanova. Esta já é considerada a repressão policial mais violenta contra uma manifestação no país desde agosto. Cerca de 10 mil pessoas participaram do ato. 

Neste sábado (10), Lukashenko surpreendeu ao se reunir com vários opositores presos. Ele efetuou o encontro na prisão dos serviços especiais (KGB) para, segundo a presidência bielorrussa, discutir as mudanças constitucionais que planeja. O presidente visitou adversários por quatro horas e meia. "A Constituição não será escrita na rua", disse Lukashenko, referindo-se ao projeto de reforma constitucional que está promovendo como solução para a crise.

O canal Telegram NEXTA Live, que coordena parcialmente o movimento de protesto e que tem dois milhões de assinantes - em um país de 9,5 milhões de habitantes - convocou os manifestantes a se reunirem neste domingo em torno deste presídio e do Ministério de Interior para que "cada preso político possa ouvir" o povo. Centenas de manifestantes, líderes de movimentos políticos, sindicatos e jornalistas foram presos desde o início de agosto e encarcerados por terem participado ou organizado a contestação.

Movimento de protesto reúne milhares todos os domingos

O movimento de protesto sem precedentes, desencadeado por suspeitas de fraude maciça durante a eleição presidencial de 9 de agosto, reúne dezenas de milhares de pessoas todos os domingos. Em represália, as autoridades mobilizam tropas de choque, veículos blindados e canhões de água em grande número em Minsk. Também limitam o acesso à Internet móvel e reduzem o transporte público para dificultar a mobilização.

"Não importa quantas pessoas eles prendam, nós vamos sair às ruas de qualquer jeito, porque os líderes são ele, ela, todos nós", garantiu Alexandre Starovoitov, empresário de 32 anos que se preparava para protestar.

As principais figuras da oposição estão na prisão ou no exílio, como a candidata presidencial da oposição Svetlana Tikhanovskaya. Esta semana, vários países europeus, incluindo Reino Unido, Estônia e Letônia, convocaram de volta seus embaixadores em Minsk. Além disso, o Comitê Olímpico Internacional (COI) disse estar "muito preocupado" com a discriminação contra atletas por causa de suas opiniões políticas.

(Com informações da AFP)

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