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Linha Direta

Toque de recolher e outras regras contra Covid-19 geram confusão e críticas na Alemanha

Um viajante fica em frente a um centro de testes de coronavírus na estação central em Colônia, Alemanha, domingo, 11 de outubro de 2020. A 4ª maior cidade da Alemanha informou ter ultrapassado o importante nível de alerta de 50 novas infecções por 100.000 habitantes em sete dias.
Um viajante fica em frente a um centro de testes de coronavírus na estação central em Colônia, Alemanha, domingo, 11 de outubro de 2020. A 4ª maior cidade da Alemanha informou ter ultrapassado o importante nível de alerta de 50 novas infecções por 100.000 habitantes em sete dias. AP - Martin Meissner
Por: Márcio Damasceno
5 min

Cada vez mais cidades alemãs ultrapassam a marca crítica de infecções pela Covid-19 e são declaradas "áreas de risco". As autoridades impõem restrições para tentar impedir um novo lockdowm, mas a variedade de medidas confunde a população e gera críticas de especialistas e empresários.

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Marcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Neste fim de semana, além de Berlim e Frankfurt, também Colônia, Stuttgart, Bremen, Essen e Mainz superaram a taxa de 50 contágios por 100 mil habitantes em um período de sete dias, obrigando as autoridades a impor novas restrições para conter a pandemia.

Mas as regras diferem de região para região e essa variedade tem confundido a população. Com o aumento dos números de contágio, muitas regiões decretaram toque de recolher noturno em bares, restaurantes e lojas, como é o caso de Berlim. Outras cidades não têm toque de recolher, mas a obrigatoriedade de uso de máscara em locais públicos, como é o caso de Colônia. Já em Berlim, a máscara só é obrigatória em lugares fechados.

A maioria dos estados proibiu que hotéis recebam hóspedes de áreas de risco, a não ser que os hóspedes apresentem um exame recente negativo para o coronavírus. Essa regra não vigora na capital alemã e em uma minoria de outros estados.

As diretrizes dependem do estado, já que as políticas contra a pandemia são descentralizadas.

Isso faz, por exemplo, com que os berlinenses não possam reservar hotel em cidades na região vizinha de Brandemburgo. Mas quem é de Brandemburgo pode se hospedar em Berlim sem problemas. Quem vem de Colônia só pode se hospedar na Baviera com teste negativo para coronavírus. Mas os bávaros não têm problema em viajar para Colônia. Já quem é de uma área de risco no próprio estado da Baviera pode pernoitar livremente em hotéis de outras cidades do mesmo estado.

Férias frustradas

Isso tudo está ocorrendo exatamente num período em que escolas da maior parte da Alemanha começam duas semanas de férias, as chamadas férias de outono. Por causa das restrições, muitas famílias tiveram que cancelar viagens dentro do próprio país.

Especialistas afirmam que impedir viagens dentro da própria Alemanha não ajuda na contenção da pandemia. Além disso, contribui para criar confusão na própria população. Eles também afirmam que as regras são, em grande parte, difícil de serem fiscalizadas.

Reclamações partem também de entidades empresariais e de representantes do comércio, que estão frustrados com o toque de recolher, como o que vigora em Berlim.

A medida afeta um setor já bastante fragilizado pela pandemia, que é o gastronômico e o de diversão noturna. Enquanto autoridades cogitam a liberação de verbas extras para ajudar donos de restaurantes, bares e casas noturnas, os donos dos estabelecimentos entraram na Justiça para suspender as restrições.

Toque de recolher em Berlim

O toque de recolher noturno entrou em vigor em Berlim na madrugada de sexta-feira para sábado e deve ir até pelo menos o fim de outubro. Estabelecimentos que violarem a regra podem ser multados em até € 5.000 mil (mais de R$ 32.000).

Reuniões privadas em lugares fechados ficaram limitadas a 10 pessoas, entre 23h e 6h. Do lado de fora, só podem se reunir nesse horário no máximo 5 pessoas ou membros de no máximo dois domicílios.

Como era de se esperar, a polícia teve que agir em diversos bares berlinenses. Os policiais foram obrigados não só a esvaziar alguns bares que se negavam a fechar, como também tiveram trabalho para dispersar grupos que se aglomeravam nas ruas, do lado de fora dos estabelecimentos. Muitos saem dos bares e vão continuar a festa em lugares privados e nesses locais a polícia costuma ter dificuldade para fiscalizar.

Sentimento de segurança

Existem diversas causas para o aumento dos números da pandemia na Alemanha, um dos países europeus considerados exemplo no combate ao coronavírus. Especialistas são unânimes em apontar como principal problema as reuniões sociais, festas privadas e aglomerações em bares e restaurantes.

Muitos acreditam que o fato de o verão ter sido relativamente tranquilo na Alemanha, com um número de novos casos relativamente baixo em relação aos vizinhos europeus, fez com que a população fosse relaxando seu comportamento. Os baixos números da Covid-19 teriam criado um falso sentimento de segurança nos alemães, afirmam alguns analistas.

A preocupação principal do governo alemão agora é com as grandes cidades, onde os casos estão aumentando. Berlim quer evitar a todo custo um novo lockdown no país.

Desde o começo do mês passado, os contágios diários vêm aumentando. A taxa saltou, em uma semana, do patamar de cerca de 2.800 novos casos diários para mais de 4.000 novos casos em 24 horas. No entanto, esse valor ainda está bem longe do registrado na França, por exemplo, onde os casos diários já superaram os 25.000.

 

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