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Restrição ao aborto na Polônia gera novos protestos em várias cidades do país

Manifestantes, principalmente mulheres, tomaram as ruas de Varsóvia e várias outras cidades polonesas para defender o direito ao aborto
Manifestantes, principalmente mulheres, tomaram as ruas de Varsóvia e várias outras cidades polonesas para defender o direito ao aborto REUTERS - KACPER PEMPEL
Texto por: RFI
3 min

Milhares de pessoas foram às ruas nesta segunda-feira (26) em novos protestos em defesa do direito ao aborto na Polônia. As manifestações, que bloqueiam o centro de várias cidades do país, começaram após as autoridades proibirem o aborto, inclusive em caso de má-formação do feto.

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Com informações de Sarah Bakaloglou, correspondente da RFI na Polônia

Carregando cartazes com os dizeres “vocês têm sangue nas mãos”, “nós queremos poder escolher”, ou ainda “é a guerra”, manifestantes, principalmente jovens mulheres, desfilaram nas ruas de Varsóvia, paralisando o tráfego na capital polonesa. Protestos similares foram registrados em várias outras cidades. Manifestações também visaram igrejas no domingo, algo inédito nesse país de maioria católica.

“Eu quero apenas mostrar meu apoio à todas as mulheres que não terão o direito de escolher, que devem continuar a gravidez mesmo se, por razões médicas, não deveriam”, comenta Iwona, que faz parte do cortejo. “Eu tenho duas filhas, gêmeas, de dez meses. Não foi uma gravidez fácil. Mas não consigo me imaginar em uma situação em que não tenha escolha sobre uma gravidez. Não é fácil para mim manifestar todos os dias, mas vou tentar, nem que seja pelas redes sociais. Aos poucos vamos conseguir”, afirma, otimista.

Esse já é o quinto dia de manifestações desde que o Tribunal constitucional polonês anunciou a proibição do aborto em caso de má-formação do feto, alegando que a prática seria “incompatível” com a constituição do país. A medida foi tomada a pedido do partido ultracatólico nacionalista Direito e Justiça (PiS), que dirige a Polônia. A partir de agora, a interrupção de gravidez é possível apenas em caso de estupro, incesto e risco de morte para a mãe.

Os defensores da lei alegam que a medida impede o aborto de fetos diagnosticados com Síndrome de Down. Já os opositores afirmam que ao manter até o final as gravidezes de fetos com má-formação, a vida das mães é colocada em risco.

Polônia na contramão da Europa

Marcado por uma forte tradição católica, a Polônia é um dos países que mais restringem o acesso ao aborto. Atualmente, menos de 2 mil interrupções de gravidez legais são feitas por ano – a maior parte delas em razão de má-formação do feto. Grupos feministas calculam que anualmente mais de 200 mil polonesas realizam abortos ilegalmente dentro do país ou no exterior.

A decisão da justiça polonesa foi condenada por vários grupos de defesa dos direitos humanos na Europa, onde o aborto é feito legalmente em praticamente todos os países. Entre os 27 membros do bloco, Malta é o único a proibir totalmente a interrupção da gravidez. Até a Irlanda, conhecida por sua tradição religiosa, se tornou, em 2018, a 26ª nação europeia a legalizar o aborto. A prática também foi legalizada em outubro de 2019 na Irlanda do Norte.

 

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