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Começa julgamento de ex-presidente do Kosovo por crimes contra a humanidade

O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade e compareceu pela primeira vez diante do Tribunal de Haia, nesta segunda-feira (9).
O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi é acusado de crimes de guerra e contra a humanidade e compareceu pela primeira vez diante do Tribunal de Haia, nesta segunda-feira (9). REUTERS/Eva Plevier
Texto por: RFI
3 min

O ex-presidente do Kosovo Hashim Thaçi, acusado de crimes de guerra durante o conflito contra as forças sérvias, se declarou inocente nesta segunda-feira (9) durante sua primeira aparição diante do Tribunal especial da Haia, na Holanda.

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“A acusação não tem fundamento, e eu me declaro inocente”, disse Thaçi, 52 anos, ex-chefe do Exército de liberação do Kosovo (ELK) e acusado de crimes de guerra e contra a humanidade, praticados durante a Guerra da Independência (1998 – 1999).

Thaçi anunciou sua demissão da presidência na quinta-feira (5) e logo após foi transferido ao centro de detenção do Tribunal especial junto a três outros suspeitos: o ex-porta voz do ELK, Jakup Krasniqi, um dos aliados políticos mais próximos do ex-presidente, Kadri Veseli, ex-chefe dos serviços secretos da guerrilha, e uma das figuras mais importantes do ELK, Rexhep Selimi.

Os quatro homens são suspeitos de quase 100 assassinatos, desaparecimentos forçados, perseguições e torturas, atos que teriam sido cometidos entre março de 1998 e setembro de 1999.

Demissão

No centro da vida pública no Kosovo há duas décadas, Thaçi foi presidente desde 2016, depois de ter sido primeiro-ministro. Ele sempre se disse inocente, acusando a justiça internacional de “reescrever a história” e garantiu que pediria demissão de suas funções caso as denúncias de crime de guerra das quais é alvo fossem confirmadas por oficialmente. A acusação foi publicada em junho pelo Tribunal especial, mas deveria ser validada por um juiz.

Nessa segunda, Krasniqi também fez seu primeiro comparecimento oficial diante da Justiça internacional. Os de Veseli e Selimi serão terça-feira (10) e quarta-feira (11), respectivamente.

As audiências têm o objetivo de garantir “que os direitos do acusado, incluindo uma representação legal, sejam respeitados” e o que “entenda as acusações contra ele”, indicou o Tribunal de Haia.

“Guerra justa”

O tribunal especial é composto como uma instância de direito kosovar, com juízes internacionais e encarregado de investigar os principais crimes cometidos pela guerrilha durante e após o conflito de 1998-1999, principalmente contra sérvios, a minoria rom e oponentes kosovares à guerrilha.  

A maioria dos habitantes do Kosovo, território que declarou sua independência em 2008, mas que nunca foi reconhecida pela Sérvia, considera o conflito como uma “guerra justa”, contra as forças de Belgrado.

A guerra do Kosovo, que opôs forças sérvias e a guerrilha independentista kosovar-albanesa, fez mais de 13.000 mortos, a maioria do campo dos separatistas. O conflito terminou quando uma campanha ocidental de ataques aéreos, no segundo trimestre de 1999, obrigou as forças sérvias a se retirarem.

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