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Covid-19: em estação de esqui suíça, uso da máscara é obrigatório

Esquiador usa máscara nas pistas de Verbier, na Suíça, em 15 de novembro.
Esquiador usa máscara nas pistas de Verbier, na Suíça, em 15 de novembro. Fabrice Coffrini AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

A maior parte dos países europeus devem manter suas estações de esqui fechadas até janeiro. Mas em Verbier, no cantão do Valais, na Suíça, as pistas estão abertas há mais de um mês. A região, entretanto, é uma das mais atingidas pela epidemia na Europa.

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Jérémie Lanche, enviado especial da RFI a Verbier

O esqui é um esporte ao ar livre que faz parte da vida de boa parte dos suíços e ajuda a população a esquecer um pouco do stress provocado pela epidemia. A Covid-19, entretanto, continua sendo o principal assunto nos teleféricos que levam ao topo das pistas, onde o uso da máscara, naturalmente, é obrigatório.

"Todos os clientes estão usando", diz Carole Moos, diretora comercial da Téleverbier, a empresa que gerencia os acessos às pistas de Verbier. A polícia controla o uso do acessório. "As pessoas ficam cerca de cinco minutos na fila. Para subir, o tempo máximo é de dez minutos. É extremamente curto", salienta. 

Em geral, é necessário um contato próximo de mais de quinze minutos com uma pessoa contaminada para o contágio, mas esse tempo varia de acordo com o distanciamento e o uso correto da máscara. Por isso em um teleférico, um local fechado e pouco ventilado, a proteção é fundamental. 

O fato de o esqui ser praticado ao ar livre é sem dúvida uma vantagem. O risco de contaminação é baixo nas pistas. Com a máscara, ele é praticamente inexistente. O perigo maior, como já se sabe depois de dez meses de epidemia, é o encontro com os amigos no final do dia, onde distanciamento e regras de proteção são deixadas de lado. 

Em Verbier, nessa época, ainda há pouca neve, mas muitos esquiadores já estão frequentando a estação. A maior parte respeita as novas medidas, diz Paul-Victor Amaudruz, responsável pela estrutura e fluxo nas pistas. "Nos primeiros dias, tivemos que reforçar as regras para algumas pessoas. Mas como todos querem esquiar, acabam se adaptando", diz.

A máscara deve ser mantida nas pistas, o que é pouco confortável no início. "É um pouco difícil de respirar, mas, honestamente, é como usar capacete no início da temporada. É desconfortável, mas a gente acaba se habituando", diz um esquiador entrevistado pela RFI. "Incomoda, os óculos ficam todo embaçados, mas é muito bom poder esquiar", comenta uma amiga. "Eu me sinto muito mais segura aqui do que em outros lugares cheios de gente", diz. 

Alguns franceses também viajaram para poder esquiar, mas Verbier não espera receber muitos turistas estrangeiros nesse inverno. A reabertura das fronteiras na Europa aindas não é dada como certa.

"Não deixem nossas montanhas morrerem"

O presidente da região Auvergne-Rhône-Alpes, Laurent Wauquiez, onde está localizada boa parte das estações de esqui francesas, e profissionais do setor, publicaram um texto no Jornal do Domingo, pedindo a reabertura dos teleféricos e equipamentos que dão acesso às pistas em dezembro. 

O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que a questão seria avaliada em função da evolução da situação sanitária. As estações vão abrir em dezembro, mas os acessos às pistas continuarão fechados. Atualmente, as regiões da Savoie (Savóia) e da Haute Savoie (Alta Savóia)  estão entre as mais atingidas pela epidemia na França, que aos poucos volta a ficar sob controle.

"Senhor presidente, não acabe com a montanha francesa", diz o texto publicado neste domingo (29), que critica uma gestão incoerente. "Como explicar a possibilidade de ir ao cinema em Paris e não poder esquiar ao ar livre?", questionam os profissionais. "Não cabe à chanceler Angela Merkel decidir o que será de nossas estações", ressaltam. Para Merkel, é necessário impedir a reabertura de todas as estações na Europa.

De acordo com dados divulgados pelos profissionais do setor, a decisão do governo francês é uma "sentença de morte" para dezenas de milhares de empregos e empresas e coloca em perigo 250 estações, 120.000 empregos e € 9 bilhões de receita para os cofres do país. 

 

 

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