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Itália: lojistas de Nápoles criticam "abandono" do governo durante lockdown

No bairro histórico de Nápoles. A cidade continua confinada, neste domingo 29 de novembro, para desespero de seus comerciantes.
No bairro histórico de Nápoles. A cidade continua confinada, neste domingo 29 de novembro, para desespero de seus comerciantes. REUTERS/Ciro De Luca
Texto por: RFI
4 min

A Itália flexibiliza, neste domingo (29), as medidas de lockdown na Calábria, no sul, e na Lombardia e Piemonte, no norte. Mas cinco regiões permanecem na chamada zona vermelha, considerada de alto risco de contaminação, e suas cidades continuam em quarentena. Entre elas, Nápoles, capital da Campana. A medida desagrada os lojistas napolitanos.

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Pauline Gleize, enviada especial da RFI a Nápoles

As lojas de presépio da rua San Gregorio Armeno deveriam estar cheias, mas permanecem fechadas. Angela, que trabalha no local, organiza sua butique sem poder vender a mercadoria. “Se eu vendesse detergente e decorações de Natal, poderia abrir, mas neste caso, deveria vender somente detergente. Mas não é assim”, explica.

Para ela, a situação é desigual: as lojas que vendem produtos considerados de primeira necessidade podem abrir, mas aproveitam para propor aos clientes artigos que não são essenciais. A concorrência é desleal, diz Angela. “Nós nos sentimos abandonados e deprimidos”, desabafa.

No popular Bairro Espanhol, Mario Talarico continua a trabalhar em seu ateliê de guarda-chuvas, mas não pode abrir sua loja. Para enfrentar a situação, ele criou o grupo Facebook “Para o Natal, escolha artesanato”, onde os microempresários podem expor seus artigos.  “As pessoas talvez possam redescobrir nossos produtos”, explica. “Isso nos ajuda a continuar unidos. " A Covid-19 revelou o lado negativo das pessoas”, diz, pessimista, o artesão.

Crise econômica e social “dramática”

Na rua dos presépios, as mercadorias são pouco adaptadas à venda online. “Temos mais de 700 artigos em nosso site”, explica Daniele Gambardella. “Teríamos que chegar a pelo menos 2.500”, observa. Na entrada da loja, entre caixas para envio, Giuseppina Gaffiero não espera mais as ajudas do governo que, segundo ela, demoram a ser pagas. “Deveríamos receber € 1.000, mas a vacina deve chegar antes. Eles nos destruíram. Não vai ter Natal bis em janeiro”, lamenta a lojista.

“É dramático do ponto de vista social, econômico e do emprego”, diz Luigi de Magistris, prefeito de Nápoles. “A segunda onda foi muito mais dramática que a primeira. Tem mais pobreza, muitas atividades econômicas que foram interrompidas e não poderão ser retomadas. A situação é muito difícil”, afirma.

“Mas, independentemente disso, esta cidade é muito forte. Ela tem uma grande capacidade de resistir. É uma cidade muito solidária. Então, com certeza, tentaremos resistir e voltar. Mas precisamos do apoio do governo e da Europa. Uma ajuda mais forte e mais rápida”, diz Magistris.

“O município apresentou uma série de bons projetos e esperamos que eles sejam financiados pelo Recovery Fund”, diz. Trata-se de um fundo de recuperação da União Europeia. “Estamos confiantes, mas é necessário que isso seja feito rapidamente. Existem recursos importantes para o Sul, para Nápoles, e apresentamos ao governo projetos importantes para o desenvolvimento, o meio ambiente e as infraestruturas, e também no plano social”, completa o prefeito.

Zona vermelha

A região sul da Itália é a mais pobre do país, com altas taxas de desemprego e forte presença das máfias. O impacto da segunda onda na região deve aumentar estes problemas.

No começo de novembro, diante do aumento de casos de Covid-19 e a pressão no sistema de saúde, o governo italiano dividiu o país em três zonas – amarela, laranja e vermelha – segundo critérios que consideram intensidade de contaminação, número de focos da epidemia e capacidade dos hospitais em leitos de terapia intensiva. Além disso, em todo o país foi aplicado um toque de recolher das 22h às 5 da manhã.

Na zona vermelha, de alto risco, onde está a região da Campana, uma quarentena rígida foi imposta e apenas supermercados e farmácias ficam abertos. Bares, restaurantes, escolas e universidades permanecem fechados. Na zona laranja, de risco médio-alto, o comércio pode abrir e na zona amarela, de risco médio, bares e restaurantes também podem funcionar até 18 horas.

Além da Campana, outras quatro regiões continuam na zona vermelha: Vale d’Aosta, Trentino Alto Adige, Toscana e Abruzzo.

 

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