Fake news inundam redes sociais britânicas após aprovação da vacina anti-Covid

Formação de profissionais da saúde para a vacinação contra a Covid-19 em Derby, no Reino Unido, em 28 de novembro de 2020.
Formação de profissionais da saúde para a vacinação contra a Covid-19 em Derby, no Reino Unido, em 28 de novembro de 2020. REUTERS - LEE SMITH
Texto por: RFI
4 min

Enquanto o governo britânico comemorava o anúncio da aprovação da vacina contra a Covid-19, fake news sobre a imunização invadiam a internet. Conscientes do perigo deste fenômeno, as autoridades e a imprensa do Reino Unido reagiram rapidamente para tentar evitar que os cidadãos se recusassem a serem vacinados.

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Com informações de Muriel Delcroix, correspondente da RFI em Londres

Rumores e teorias do complô que circulam há meses nas redes sociais sobre as vacinas contra o novo coronavírus voltaram à tona nesta quarta-feira (2) no Reino Unido. Nas redes sociais - principalmente no Facebook e no Twitter - milhares de publicações divulgaram notícias falsas sobre o imunizante da Pfizer/BioNTech, que começará a ser utilizado a partir da próxima semana no país.

Alvo frequente de propagadores de fake news, o bilionário Bill Gates, fundador da gigante Microsoft e defensor das vacinas, se viu novamente acusado de tentar dominar o mundo durante a pandemia de Covid-19. Segundo publicações complotistas, que vêm se propagando desde o início da crise sanitária, o americano tentará se aproveitar da vacinação para implantar microchips nas pessoas. 

Ao perceber que o fenômeno ganhava força, logo após o anúncio da aprovação do produto, a imprensa britânica reagiu rapidamente. Durante toda a quarta-feira, cientistas, médicos e especialistas em redes sociais foram entrevistados, na tentativa de provar que as teorias conspiracionistas são sem fundamento. 

Apesar dos esforços dos jornalistas para informar e acabar com os rumores, as autoridades britânicas se preocupam com o impacto da propagação de boatos na internet, que vêm gerando desconfiança por parte dos cidadãos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que, além de lutar contra a pandemia, vem realizando também o combate contra a chamada "infodemia": a onda de notícias enganadoras que ameaçam dissuadir as pessoas de se vacinarem. 

Legislação contra fake news nas redes sociais

Há meses o Partido Trabalhista britânico vem insistindo na necessidade de criar uma legislação para impedir que fake news sobre a Covid-19 e a vacina contra a doença continuem se propagando sem controle nas redes sociais. Na quarta-feira, o líder da legenda, Keir Starmer, reiterou o pedido. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, prometeu agir rapidamente para tentar diminuir o impacto das teorias complotistas na saúde dos cidadãos.

O chefe do serviço médico do Reino Unido, Jonathan Van Tam, insistiu na quarta-feira, durante uma coletiva de imprensa, que as pessoas devem se vacinar. "Não tomar a vacina não vai ajudar vocês". Segundo ele, a epidemia jamais chegará ao fim caso as pessoas "apenas assistam à imunização dos outros". "Ignorar essa recomendação só vai resultar na extensão das restrições", sublinhou. 

Uma pesquisa publicada em setembro mostrou que um quinto dos britânicos poderiam se recusar a serem vacinados contra a Covid-19. De acordo com um levantamento da University College London, que ouviu 70 mil pessoas, "devido à desinformação do público sobre a imunização", cerca de 30% da população acredita que o medicamento pode causar problemas de saúde no futuro. 

A Agência Independente de Regulamentação de Medicamentos e dos Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA, na sigla em inglês) garante que a vacina da Pfizer/BioNTech é segura para ser aplicada. O governo britânico comprou 40 milhões de doses para 2020 e 2021, o que permitirá vacinar 20 milhões de pessoas - um pouco menos de um terço da população - já que são necessárias duas doses do imunizante . 

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