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Resultados contraditórios de teste Covid de presidente interferem na campanha eleitoral de Portugal

O presidente portugués Marcelo Rebelo de Sousa testou positivo nesta segunda-feira, 11 de janeiro de 2021, e em seguida duas vezes negativo para a Covid-19.
O presidente portugués Marcelo Rebelo de Sousa testou positivo nesta segunda-feira, 11 de janeiro de 2021, e em seguida duas vezes negativo para a Covid-19. Patricia de Melo Moreira AFP/Archivos
Texto por: RFI
4 min

Depois de testar positivo e em seguida duas vezes negativo, continuam as dúvidas para saber se o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, está ou não contaminado pelo Covid-19. Por precaução, seguindo as recomendações das autoridades de saúde, ele participou de casa do debate que reuniu presencialmente todos os outros candidatos à presidência de Portugal, na noite desta terça-feira (12) no canal público RTP.

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Este foi o único debate televisivo que reuniu todos os sete candidatos à Presidência da República de Portugal. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa participou do evento a distância. Durante todo o dia de hoje havia a dúvida se o evento seria ou não mantido devido as incertezas sobre a contaminação do presidente pelo novo coronavírus.

Na segunda-feira (11) à noite, ele testou positivo para a Covid-19. Um novo teste realizado ainda na noite de ontem deu negativo e um terceiro exame de confirmação, realizado nesta terça-feira, também deu negativo. A RTP informa que Marcelo Rebelo de Sousa respeita o isolamento no Palácio de Belém e que durante o dia participou de uma reunião com especialistas da agência portuguesa de medicamentos (Infarmed) por videoconferência.

Os resultados contraditórios levantam dúvidas sobre eventuais falsos positivos. Para os cientistas, ainda é cedo para compreender o que levou Marcelo Rebelo de Sousa a testar positivo e depois a ter dois testes negativos.

O atual chefe de Estado é o grande favorito das eleições de 24 de janeiro e a campanha presidencial portuguesa chegou a ser paralisada por algumas horas. Logo após o resultado positivo, Rebelo de Sousa, um conservador de 72 anos, cancelou imediatamente todas as suas reuniões. Como na semana passada houve uma série de debates televisivos, os principais candidatos também cancelaram suas agendas públicas, já reduzidas ao mínimo por causa da situação sanitária, devido ao risco de serem caso contato.

Segundo isolamento

Na quarta-feira (6) passada, o presidente português há havia ficado algumas horas em "isolamento preventivo" depois de saber que uma pessoa de seu entorno tinha sido contaminada. Ele fez um teste que deu negativo e não precisou continuar em quarentena.   

A campanha eleitoral portuguesa, que começou oficialmente no domingo (10), está ameaçada por um possível anúncio de um novo confinamento para frear o aumento de casos de Covid-19. Após um recorde de 10.176 casos em 24 horas na sexta-feira (8) passada, o país registrou hoje um recorde de mortos: 155 em apenas um dia. Pela primeira vez desde o início da pandemia, pouco mais de 4.000 pessoas estão hospitalizadas, cerca de 600 delas em UTI.

Diante deste surto, atribuído à flexibilização das restrições sanitárias durante o fim de semana do Natal, "nesta semana teremos realmente que adotar medidas gerais de lockdown", confirmou nesta terça-feira o primeiro-ministro, António Costa. O Presidente da República propôs hoje ao parlamento estender por mais 15 dias, até 30 de janeiro, o estado de emergência em vigor, para permitir medidas de contenção da Covid-19.

Abstenção histórica

"Com ou sem Covid, esta eleição vai de qualquer jeito registrar uma abstenção histórica", que poderia chegar a 75%, afirma o cientista político Carlos Jalali, da Universidade de Aveiro, ao jornal Público. Segundo ele, o índice de participação seguirá uma tendência de queda já observada em eleições presidenciais anteriores. Essa tendência deve ser acentuada pela provável vitória do atual presidente, acredita Jalali.

Para tentar evitar que a situação sanitária aumente ainda mais a abstenção, as autoridades eleitorais ampliaram a possibilidade de voto antecipado a partir do próximo domingo (17). Além disso, as autoridades locais também poderão ir a casa dos eleitores em quarentena, assim como para lares de idosos para recolher seus votos.

Em Portugal, o presidente da República é eleito pelo voto direto, por um mandato de cinco anos, com a possibilidade de uma única reeleição. Ele não tem nenhum poder executivo, mas desempenha um papel de árbitro em caso de crise política e dispõe do poder de dissolver a Assembleia para convocar eleições antecipadas.

 

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