Covid-19: França amplia toque de recolher às 18h para todo o território

Algumas pessoas ainda andavam na Pont des Arts coberta de neve, durante o toque de recolher em Paris.
Algumas pessoas ainda andavam na Pont des Arts coberta de neve, durante o toque de recolher em Paris. REUTERS - GONZALO FUENTES
Texto por: RFI
4 min

Num fim de tarde de neve, a França começou a aplicar neste sábado (16) um toque de recolher nacional das 18h às 6h, numa tentativa de frear a epidemia de Covid-19. Um endurecimento das regras sanitárias que os comerciantes cumprem com resignação, enquanto o primeiro-ministro Jean Castex pede calma durante a vacinação no país.

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Qualquer deslocamento dentro do novo horário do toque de recolher precisa ser justificado.  A proibição de sair de casa, exceto por razões excepcionais, foi antecipada em duas horas, em toda a França, até 31 de janeiro, para combater a epidemia de coronavírus e a propagação da variante britânica, mais contagiosa, e já em circulação no país.

As exceções para sair de casa permanecem as mesmas de antes (trabalho, consulta médica, buscar os filhos na escola, comprar comida, ou outro motivo convincente). Porém, as empresas e o comércio devem agora fechar as portas imperativamente às 18h00.

Más notícias para os comerciantes, poucos dias antes do início das liquidações de inverno. A situação é complicada também para os restaurantes, fechados até meados de fevereiro, e que tentam sobreviver graças aos pedidos de entregas.

Pouco depois das 18h, as ruas de Pantin, nos arredores de Paris, ainda parcialmente cobertas de neve, se esvaziavam gradualmente. Porém, ainda não estavam totalmente desertas: os clientes voltavam para casa com suas compras.

“É um aborrecimento. Nosso movimento vai reduzir. Hoje os clientes vieram em peso antes da hora de fechamento”, disse Vanessa A, vendedora de uma loja de telefones. Normalmente, “a maioria das pessoas chega depois das 17h, após o trabalho, então não é bom para nós. Mas respeitamos a decisão do governo, preferimos isso a um lockdown”, diz ela.

390 mil franceses vacinados

Em visita a Lyon para promover o plano de recuperação do governo, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, revelou que 390 mil pessoas já foram vacinadas até o momento na França e que um milhão de marcações de vacinação foram feitas. Castex pediu uma vacinação "com calma", reconhecendo que as cinco milhões de pessoas com mais de 75 anos não poderiam ser vacinadas "em questão de dias".

A prefeitura de Mayotte, um departamento francês localizado em um arquipélago do Oceano Índico, confirmou neste sábado um primeiro caso da variante sul-africana e anunciou a suspensão das ligações marítimas e aéreas internacionais por 15 dias, a partir de domingo (17).

O número de casos confirmados de coronavírus na França continua alto, com cerca de 20.000 contaminações a cada 24 horas desde o início do ano. O balanço está longe dos 5.000 casos esperados em meados de dezembro pelo governo.

Na próxima segunda-feira (18), a campanha de vacinação será estendida a pessoas com mais de 75 anos que não vivem em asilos, bem como a pessoas com patologias de alto risco (insuficiência renal crônica, câncer em tratamento, etc.)

Mais de 800 centros de vacinação estão "abertos e acessíveis para marcar hora", garantiu o ministro da Saúde, Olivier Véran. Contudo, muitos franceses têm tido dificuldades para marcar a data da vacinação porque a procura pela dose é grande nesse início de campanha.

 

 

 

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